Esta é a continuação do capítulo de
mesmo número no endereço abaixo
domingosejoanita.blogspot.com
Nota: O capítulo imediatamente anterior está no link abaixo
http://domingosejoanita05.blogspot.com.br/2015/01/cap-5-ascendentes-de-joana-cont.html Anna Osorio do Amaral - a matriarca
Foto de D Anna em
1927 - 66 anos
O Blog seguinte se ecnontra no link abaixo:
http://domingosejoanita062.blogspot.com.br/
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Suma: Este
grupo familiar liga-se aos MEIRELLES
pelo casamento de Anna Osorio do Amaral( N a 15/set/1861 em Mangaratiba
bat em NS da Guia a e Falecida a 194X. )
com Antonio José de Meirelles II a 22/11/1879 (na Igreja de S Joaquim – Divino
Espírito Santo).Estes são pais de
Domingos José Meirelles, casado com
Joanna Vianna Raming, avós de Iracema Raming Vianna Meirelles (Quintella) que
por sua vez é minha mãe. Como se verá
este ramo realiza plenamente o ideal do melting –pot. A miscigenação fica
claramente comprovada documentalmente, mostrando inclusive que nenhum de seus
membros sofreu qualquer tipo de restrição ou preconceito marcante em sua
ascensão social. Este ramo se forma em Mangaratiba, porto localizado a 85 km ao sul da cidade do
Rio de Janeiro que foi muito movimentado nos séculos XVIII e XIX. Este termo é
tupi-guarani e significa muitos mangarás. Mangará é uma planta
(Caladium poecile) da fam. das aroideáceas, cujos tubérculos são alimentícios e
largamente cultivados e consumidos pelos indígenas. Mas outros tubérculos também recebem eventualmente este nome. Pela primeira vez o termo é citado
pelo Pe Fernão Cardim, SJ (secretário do Visitador da Cia de Jesus) em "Tratados da Terra e da Gente do Brasil"de
Ca 1580.
Toda família tem seus
segredos, o unheimlich ” tudo que deveria
permanecer secreto, escondido e se manifesta”, (Freud em texto publicado em 1919 menciona esta figura
quando analisa o conto de Hoffman intitulado “O homem de Areia”. “O estranho”.
In: Obras
Completas.Vol.
XVII. RJ: Imago, 1996.) Na família
Meirelles sempre se mencionava a herança indígena com certo desdém algumas
vezes. Neste ramo é que se identifica
claramente esta origem tupinambá que ao
ser estudada por alguns membros da
família, após o sucesso retumbante de Domingos José Meirelles, acabou fazendo qe
todos tivessem muito orgulho de suas
origens, que misturaram indígenas com Açorianos e Trasmontinos com afro descendentes.
Anna Osorio do Amaral
Filha de Felippe Antonio
do Amaral (N
9/set/1836 bap 26/dez/1836 , em NS da Guia, F com 77 anos Ca. 14/novembro/1913
no Engenho Novo , (sobrinha de Luiz, Tereza e José, irmãos de Filippe) e de
Gertrudes Maria Osorio,( N 8/ dezembro/ 1836 e bap nesta em NS da Guia Mangaratiba a 18/dezembro/1836 casados a XX/XX/1858?, F a 4/3/1890 aos 54 anos).
Ascendência de Anna
Neta Paterna de
Fco Anto do Amaral, (natural da freguesia de Ribeira Grande, Ilha de São
Miguel, Açores) e Engracia Gomes de Morais natural da Villa da Ilha Grande.
Bisneta paterno-materna de Manoel do Amaral e Anna de Jesus, (naturais da freguesia de Sam Pedro Ilha de São Miguel, Açores.
Bisneta paterno-materna de Manoel Pacheco Galindo e Januária Gomes de Morais naturais da Villa de Ilha Grande.
Bisneta paterno-materna de Manoel do Amaral e Anna de Jesus, (naturais da freguesia de Sam Pedro Ilha de São Miguel, Açores.
Bisneta paterno-materna de Manoel Pacheco Galindo e Januária Gomes de Morais naturais da Villa de Ilha Grande.
Neta materna natural de Domingos Joaquim d’ Araujo Osorio natural de Chaves (distrito de Vila Real em Trás-os-montes) e Anna Joaquina natural de NS da Guia de Mangaratiba,
Bisneta
materno-paterna de Francisco José Ozorio e Maria da Conceição todos naturais de
Chaves (distrito de Vila Real em Trás-os-montes)
Bisneta
materno-materna de de Mendo Pinheiro,
pardo livre, natural da Freguesia d’ Angra dos Reis e Andreza Maria, Índia
tupinambá, natural de NS da Guia de Mangaratiba
Filippe N 9/set/1836 bap 26/dez/1836 fo de
Francisco Antonio do Amaral da
Freguesia da Ribeira Grande na Ilha
de São Miguel (Açores) e Engracia
Gomes de Moraes de Angra dos Reis, neto paterno de Manuel do Amaral e Anna de Jesus naturais da Ilha de São Miguel -
Açores, neto materno de Manuel Pacheco Galindo e Januaria Gomes de Moraes
de Ilha Grande - Angra dos Reis
UMA NOTA SOBRE PASTEL DOS AÇORES
Pastel é o nome comum da planta Isatis tinctoria, uma angiosperma cujo extracto fermentado das suas folhas era usado como corante azul em tinturaria e pintura. O corante era também usado em pinturas corporais e para fins medicinais. Com a introdução do índigo e do anil, caiu em desuso. A sua utilização actual limita-se à tinturaria artística e à de tecidos orgânicos (isto é produzidos sem recurso a produtos sintéticos). A autoridade científica da espécie é L., tendo sido publicada em Species Plantarum .
Segundo pesquisa realizada por João Ventura em Ribeira
Grande ilha de S Miguel foi encontrada
uma certidão suspeita de ser a de nascimento de Francisco Antonio do
Amaral copiada e transcrita a seguir.
Francisco, filho
de Manoel do Amaral e de Anna da Ponte, naturaes desta parochial do Divino
Espirito Santo, deste lugar da Maia, nasceo em o primeiro de Novembro de mil
setecentos noventa e oito annos e foi baptizado nesta igreja parochial de seus
paes, por mim, Antonio Joze Frazão, vigário della, em sete do dito mês e anno,
foi padrinho Manoel da Ponte Cabral, viúvo, desta freguezia, foram testemunhas Manoel
Joze da Silva e o sachristão desta igreja, João Moniz, que comigo assignaram
este assento em dito dia, mês e era ut supra.
O vigário
António Joze Frazão
Manoel Joze da
Silva
Joam Monis
Igreja do Espirito Santo no Lugar da Maia, Concelho de Ribeira Grande, Ilha de São Miguel Açores
Igreja do Espirito Santo no Lugar da Maia, Concelho de Ribeira Grande, Ilha de São Miguel Açores
![]() | |
| Igreja do Divino Espírito Santo |
Anna de Jesus da Ponte, por informação de familiares, é filha de migrantes venezianos ligados a tradicional família patrícia oriunda da ilha grega Negroponte (em grego - Eubéia) comerciantes ligados a carne bonina e ovina.
As freguesias da Ribeira Grande são as seguintes:
·
Calhetas, Conceição, Fenais
da Ajuda, Lomba da Maia, Lomba de São Pedro, Maia, Matriz, Pico da
Pedra, Porto Formoso, Rabo de
Peixe, Ribeira Seca, Ribeirinha, Santa Bárbara, São Brás
São Miguel é a maior das ilhas do arquipélago dos Açores. Tem área
de 746,82 km², medindo 64,7 quilómetros de comprimento e de
8–15 km de largura e uma população de 131 609 habitantes (2001), mais 4,5%
que uma década antes. É composta pelos concelhos de Lagoa, Nordeste, Ponta Delgada, Vila da
Povoação, Ribeira Grande e Vila
Franca do Campo.
Ao natural ou habitante da ilha denomina-se micaelense.A Ribeira Grande é uma cidade portuguesa na ilha de São Miguel, Região Autónoma dos Açores, com uma população de 12.967 habitantes (INE, Censo de 2011) nas suas cinco freguesias urbanas. É sede de um município com 180,15 km² de área e 32 112 habitantes (20111 ), subdividido em 14 freguesias. O município é limitado a leste pelo município de Nordeste, a sul pelos de Povoação, Vila Franca do Campo e Lagoa, a oeste pelo de Ponta Delgada, e a norte tem costa no oceano Atlântico.
Igreja de Nossa Senhora da Conceição localiza-se na cidade e concelho da Ribeira
Grande, na ilha
de São Miguel, nos Açores.
Igreja do Convento de São Francisco localiza-se no concelho da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, nos Açores.
Lomba
de São Pedro é uma freguesia portuguesa do
concelho da Ribeira Grande, com 6,99 km² de área e 284 habitantes (2011).
Densidade: 40,6 hab/km². A principal actividade é a agricultura.
Tem costa no Oceano Atlântico a norte e montanhas a sul. Foi criada a 15 de Setembro
de 1980 em
território anteriormente pertencente a Fenais da Ajuda FONTE: WIKIPEDIA
![]() |
| HÁ FONTES SOBRE ANCESTRAIS AÇORIANOS EM PERIÒDICOS DIVERSOS |
Estes açorianos deixaram também uma tradição de contadores de histórias cultores da sua cultura e patrimônio histórico. As memórias de Iracema Quintella que relatam o que Anna Osório do Amaral sua avó preservou para os netos. Uma delas é contada a seguir.
Um explosivo legado cultural dos ancestrais açorianos:
«MAIS VALE MORRER LIVRES DO QUE EM PAZ SUJEITOS»
Além das múltiplas informações, histórias e costumes transmitidos
pelas gerações através do manuscrito de Memórias de Família da bisavó do autor,
Anna Osório do Amaral Meirelles, chegou até nós por intermédio da mãe do autor
Iracema Vianna Meirelles Quintella a lenda do cavaleiro da Ilha do Corvo. A
Açorianidade reflete uma fusão entre as culturas originais dos povos
colonizadores (desde as duas grandes vagas oriundas, uma da região centro-sul
de Portugal continental, outra do norte do país, a outras menos significativas
que se podem identificar como vindas do norte de África, França, dos Países
Baixos e tripulações do país Basco) que gestou em pleno Atlântico novos modos de vida e visão do mundo de caráter único. O meio
temperou a personalidade de aço dos
açorianos pelo isolamento, pelos sismos,
pelas erupções vulcânicas, pelas invasões de piratas e por um clima cinzento.
Licores e aguardentes são produzidos nas ilhas açoreanas. do Pico, da Graciosa
e da costa norte da ilha Terceira com frutas exóticas. Culturas extensivas de
trigo, milho, laranja, melões, cana-de-açúcar somada a intensa atividade
piscatória de frutos do mar e pescadas deram a base da gastronomia açoriana que
veio ao Brasil. Um gosto especial pela carne de baleia chegou até meus tempos
de Universidade, na década de 1960, (tempo em que se vendia nos açougues do Rio
de janeiro bifes de baleia de) nas
refeições caseiras com receitas originais da família refletindo a herança da
indústria baleeira Açoriana e regados a vinhos Verdelho do Pico ou tintos da
Terceira, Santa Maria, Graciosa. Havia também uns cozidos apimentados, ditos
medievais, aos sábados, com toda a família que eram referenciados de forma
histriônica como sendo afrodisíacos. Era também devorado, de vez em quando, o
queijo Terra Nostra da Ilha de São Miguel. Isto sem falar nos doces portugueses
tradicionais saboreados com vinho do Porto. Houve algumas celebrações
memoráveis em que se consumiu couves da Barca, Feijão assado e broas de milho.
A lenda mais contada em casa para crianças versava sobre a
princesa que se apaixonara por um jovem pastor. Como o rei não aprovou este
romance eles tiveram que se separar e na despedida tanto choraram que suas
lágrimas azuis formaram dois lagos de águas azuis da cor dos seus olhos.
Já a lenda do cavaleiro, todavia era aquela que
mais provocava o interesse e a
curiosidade da garotada. Consta que havia na Ilha do Corvo ( também chamada de
Insula Corvi Marini, Ilha do Marco ou Ilhéu, descoberta
por volta de 1452 por Diogo de Teive e seu filho João de Teive e povoada depois
de 1548) uma estátua maciça de pedra representando um
ginete, vestindo uma capa curta, assentado
sem estribos no pelo de uma
montaria de porte avantajado assemelhado aos cavalos lusitanos. Com uma das mãos apoiava-se no lombo da
cavalgadura e com a outra apontava com o indicador para sudoeste em direção á
terra da promissão – o Brasil.
"...uma estátua de pedra
posta sobre uma laje, que era um homem em cima de um cavalo em osso, e o homem
vestido de uma capa de bedém, sem barrete, com uma mão na crina do cavalo, e o
braço direito estendido, e os dedos da mão encolhidos, salvo o dedo segundo, a
que os latinos chamam índex, com que apontava contra o poente.
"Esta imagem, que toda
saía maciça da mesma laje, mandou el-rei D. Manuel tirar pelo natural, por um seu
criado debuxador, que se chamava Duarte D'Armas; e depois que viu o debuxo,
mandou um homem engenhoso, natural da cidade do Porto, que andara muito em França e Itália, que fosse a esta ilha, para, com aparelhos que
levou, tirar aquela antigualha; o qual quando dela tornou, disse a el-rei que a
achara desfeita de uma tormenta, que fizera o inverno passado. Mas a verdade
foi que a quebraram por mau azo; e trouxeram pedaços dela, a saber: a cabeça do homem e o braço direito com a mão, e uma perna, e a cabeça do cavalo, e uma mão que estava
dobrada, e levantada, e um pedaço de uma perna; o que tudo esteve na
guarda-roupa de el-rei alguns dias, mas o que depois se fez destas coisas, ou
onde puseram, eu não o pude saber." (Crónica do Príncipe D. João, Cap.
IX, 1567)
Dizem que D Manuel I, O Venturoso, o 14º Rei de Portugal, ao
saber desse monumento mandou que o debuxador e arquiteto Duarte D’Armas a
reproduzisse. Ao ver a imagem El Rei encomendou ao donatário Pedro da Fonseca que
a estátua fosse transportada a Portugal. Para tanto participaram da empreitada
João Lopes - mestre pedreiro do Porto, Damião de Góis – moço de câmara,
cronista régio e Guarda-Mor da Torre do Tombo e Frutuoso de Góis - Camareiro do Soberano.
Na família a versão corrente era que todas histórias que
explicavam a origem da estátua eqüestre eram fantasiosos até mesmo o seu
conveniente desaparecimento no mar sem deixar rastros de sua existência. Diziam
os açorianos de Mangaratiba que a intenção desta lenda era desmerecer o
pioneirismo das descobertas portuguesas, tanto no Atlântico quanto no caminho
das Índias. Algumas explicações
delirantes, por que nunca forma arqueologicamente confirmadas, e
consequentemente serem consideradas
falsas pelos historiadores, atribuíam a descoberta dos Açores aos
fenícios, ou aos Cartagineses. Como sstes povos frequentemente
representavam os seus deuses com estátuas eqüestres veio a especulação
desprovida de fundamentação que alimentou a imaginação dos incautos. Mais
espetaculosa ainda foi a especulação de que esta estátua teria sido ali
plantada pelos chineses.
Nas “Memórias de Família”
manuscritas por Anna Osorio do Amaral Meirelles, (anotadas também por Izabel de
Jesus escrava de AJM 2º, por Joanna Raming Vianna Meirelles e Iracema Vianna
Meirelles Quintella) são mencionadas sessões de contação de histórias ao
anoitecer quando as crianças se reuniam para ouvir estas aventuras dos feitos
portugueses. Os olhinhos infantis brilhavam quando ouviam falar que Lisboa, no
séculos XV e XVI era o cais do mundo,
apesar da pequenez da nação portuguesa. Todos os comerciantes europeus ansiavam por participar de uma nova fronteira
de negócios aberta pelos descobridores portugueses. Evidentemente muita
inveja e cobiça foi despertada nas
mentes dos negociantes estabelecidos na ordem econômica precedente às grandes
navegações lusas. Isto os levou a tentar negar ou pelo menos diminuir o seu
valor e importância, visando é claro impedir qualquer garantia de exclusividade
no comércio futuro feito por esta via.
Os europeus em geral estavam saturados e onerados pela exclusividade das
repúblicas marítimas italianas Veneza, Gênova, Pisa e Amalfi comerciarem sob controle dos otomanos que bloqueavam as rotas de tráfico de
especiarias, pedras preciosas, tecidos e etc...
com egípcios, árabes, persas, indianos e chineses.
Portugal com os descobrimentos marítimos, conseguiu bypassar
pela retaguarda os otomanos e fez uma ligação direta e mais econômica entre as
regiões produtoras das especiarias aos seus mercados na Europa, com isso
eliminando muitos intermediários.
Francisco Antonio do Amaral, avô açoriano de Anna, natural de
Ribeira Grande na Ilha de São Miguel era
um fervoroso defensor da supremacia lusitana e atribuía isto a sua capacidade
adaptativa e de ausência de preconceitos
com relação a sexo e raça. Como alíás
este ramo demonstrou em sua miscigenação multirracial. Estas idéias eram
partilhadas por seu filho Felippe Antonio do Amaral. Claramente eles
argumentavam que estes concorrentes dos portugueses ignoravam ou ocultavam estrategicamente que
esta estátua assentava sobre uma laje
também de pedra, na qual estava esculpida a frase “Jesus, avante!”, como uma incitação aos
descobridores portugueses para que avançassem e expandissem a fé cristã para o
ocidente. Diziam eles que ela havia sido ali posicionada pelos próprios
pioneiros portugueses, no século XV, em viagens sigilosas de exploração para planejamento de navegações
futuras.
Afirmavam
estes membros da família que Açores foi um dos últimos refúgios da
mente templária . Estes cavaleiros nórdicos e os seus aderentes lusos, ajudaram
de tal forma nas conquistas de Lisboa, de Santarém, de Silves e de tantas
outras terras contra os mouros, que não é exagero o afirmar-se que Portugal
foi, em parte substancial, formado com a ajuda desta nobre ordem religiosa
militar e dos outros cavaleiros nórdicos. O único estrangeiro ainda hoje
venerado da tomada de Lisboa foi o cavaleiro Henrique de Bona. Camões fala-nos
dele e dos milagres da palmeira plantada na sua campa. A bula papal que estabelece
a construção da Igreja de São Vicente de Fora, menciona que a mesma será
erigida em cima dos corpos dos cavaleiros germânicos caídos na conquista da
cidade. Houve
uma expedição à corte do Negus da Abissínia, que D. JOAO III cognominado O Piedoso ou O Pio (Lisboa, 6 de Junho de 1502 — Lisboa, 11 de Junho de 1557 - o décimo quinto Rei de Portugal,
filho de D Manuel I, O venturoso) encomendou a D.
CRISTÓVÃO DA GAMA, um filho de D. Vasco da Gama, com cerca de quatrocentos portugueses, para
acudir ao Reino do Preste João que estava em grande perigo de passar de vez
para a moirama. Após a sua vitória alguns destes cavaleiros se assentaram nos Açores.
Afirmam os locais que foram eles que trouxeram os rolos de pergaminhos coptas encontrados
nos Açores. Isto parece ser confirmado por uma carta do Négus dirigida
ao Rei de Portugal.
Em família todos refutavam e riam muito destas lendas sobre o
cavaleiro da Ilha do Corvo e do encontro de moedas e inscrições fenícias, como
se fossem conversa para boi dormir. Mas acreditavam que por trás delas havia
más intenções. Por exemplo em certo momento os castelhanos apoiaram este ardil
para valorizar uma fraude maior ainda: a
de que Colombo descobriu a América e com isso reivindicar direitos no Novo
Mundo. Nas rodas de família e de seus amigos
Colombo não passou de um
charlatão desinformado, que rejeitado em Portugal, propôs um projeto utópico
aos reis de Castela, que eram ignorantes da geografia e, ainda que recém
vitoriosos sobre os sarracenos, tinham se deixado dominar pela ambição
desmedida e eram politicamente carentes de mais fama por conquistas que
reafirmasse seu poder na Corte. Era claro para os portugueses que a missão
vendida pelo genovês aos reis de Castela tinha um objetivo incorreto, cujo
custo e tempo de execução era imprevisível e de resultado impossível de ser
obtido. Efetivamente quando Colombo chegou numa ilhota irrelevante do caribe,
não sabia para onde ia, nem aonde tinha chegado. Foi desprezado pelos reis de
Castela após um massacre contra os índios. Esta visão não é de todo desprovida
de sentido esta versão, pois quando se visita o museu Colombo em Valladolid,
constata-se que o mito Colombiano foi em
verdade construído por um sobrinho muito
ganancioso que tentou reivindicar terras na América. Era voz corrente entre os
Açorianos de Mangaratiba descendentes dos primeiros colonizadores das ilhas
atlânticas que elas haviam sido usadas entre outras finalidades estratégicas de
navegação, como base exploratória para as navegações em direção ao ocidente.
Estes açorianos com seu espírito desbravador e independente é que contribuíram
para a identificação real e concreta da existência de um continente a Oeste que
impediria o caminho para as Índias, apesar da forma redonda da Terra, pela
simples e trivial travessia do
Atlântico. Segundo o pai de Felipe Antonio do Amaral a lenda do cavaleiro
estava ligada a um português que
introduziu os eqüinos nas ilhas e participara
de navegações independentes exploratórias. Nestas viagens foram percebidos
sinais de terra próxima, como vegetais flutuando, aves terrestres. Estes
marujos chegaram a esboçar mapas apócrifos que se assemelhavam muito às costas e
mares da América desde a Flórida até o Rio Grande do Norte passando pelo
caribe. Estes homens, liderados por este homem que introduziu o cavalo nas
ilhas, foram os primeiros a defender a idéia que o destino dos lusitanos estava
no Oeste. Passou então a ser conhecido
como o cavaleiro (por andar a cavalo), que apontava para oeste, porque anunciava o destino manifesto
dos lusitanos no oeste.
Era
bem claro na tradição oral da família, confirmado discretamente e parcialmente
nos documentos históricos, que em Portugal, nos séculos XIV e XV havia pelo
menos dois grandes grupos disputando o poder e o controle da direção das ações
do Estado. Um deles, que prevaleceu,
preconizava o avanço sobre o continente africano rumo à Índia, ocultando em low
profile todas as informações sobre o Ocidente Atlântico, visando preservá-lo
para exploração futura. Contra este grupo havia os simpatizantes do avanço em
direção a Oeste. Este último foi hostilizado e alguns de seus membros forçados a migrar para as ilhas atlânticas (a
Macaronésia, míticas ilhas Afortunadas dos Açores, Canárias e Madeira) para evitar a pecha de conspiração com os
castelhanos. (Tal pecha surgiu do seu contato com Colombo que sequer entendeu
os motivos e as limitações desta viagem rumo ao oeste. Isto agravou-se com a
sua viagem e a descoberta das ilhas do Caribe.) Lá estes migrantes mantiveram a
cultura da navegação para oeste e a
condenação de Colombo como oportunista e negação de sua descoberta da América. Só puderam ver seu ideal de navegação rumo a oeste prosperar a partir
do século XVII intensificando-o até o século XIX, culminando com a mudança da
capital do Império para o Rio de Janeiro. Hoje enfim, sabe-se que o primeiro
grupo, com sua visão geopolítica incorreta, produziu não só o desastre de Alcácer
Quibi, a morte de D Sebastião, a subordinação à coroa de Castela e grandes perdas econômicas.
Joaquim era descendente destes açorianos denominados
cristóforos. Permaneceu na família a tradição
que estes migrantes tinham em mente que os muçulmanos agiam como
concorrentes comerciais ressentidos com as perdas impostas pelas navegações
lusas. Por outro lado eles pareciam guardar na memória a convivência dificílima
com o fanatismo religioso islâmico e os consideravam traiçoeiros e inimigos irreconciliáveis. Era voz corrente na tradição familiar açoriana
que os castelhanos temendo a expansão portuguesa fomentavam lendas
pretensiosas, jamais comprovadas, de que fenícios e árabes muçulmanos já haviam
descoberto o continente americano antes dos portugueses. Mas na verdade o que
queriam era criar uma narrativa que negasse o pioneirsmo lusitano e subjugá-los
como fizeram com os galegos, ao bascos, os catalães, os aragoneses etc...
Mas os açorianos divulgavam diversos relatos e fatos documentados
sobre seu pioneirismo no Atlântico. Vangloriavam-se de ter sido pioneiros
europeus a habitarem no Brasil. Justificavam esta crença em uma carta datada de
1514 de um certo Estêvão Fróis dirigida ao Rei de Portugal (cit. em S B Holanda, História Geral da Civilização
Brasileira) Este lusitano havia sido
preso por castelhanos por haver violado o tratado de Tordesilhas, assentando
moradia há mais de 20 anos (ou seja desde 1493) em um lugar situado a 150
léguas ao sul do equinocial (portanto em pleno território brasileiro). Relatavam ainda outra evidência deste
pioneirismo, relembrando o julgamento de
tripulantes de uma nau francesa de nome Pélérine no tribunal de Baiona (cit.
em S B Holanda, História Geral da
Civilização Brasileira) que haviam vandalizado Pernambuco em 1532. Nos autos do
processo houve testemunhos que afirmaram que tanto o porto quanto o castelo
atacados já eram habitados por lusitanos havia mais de 40 anos (portanto em
1492). Verdadeiros ou não, há historiadores que duvidam destes cálculos, feitos
sobre estes casos reais, com argumentos
frágeis. O que é garantido é que os Açorianos eram ciosos da historicidade de
seu pioneirismo. Cultivavam este açorianos também a leitura diária de trechos
seletos dos Lusíadas como um evangelho lusitano das Navegações que comprovava
sua paixão pela poesia. Lamentavam também ter-se perdido poema análogo sobre as
viagens açorianas a Oeste.
Registros da história de Portugal e dos Açores
As actividades de Portugal no chamado "Mar
Oceano"
iniciaram-se no tempo de D. Diniz, a partir da nomeação do Almirante-mor Nuno Fernandes Cogominho (1307),
seguido da contratação do Genovês Manuel Pezagno), a 1 de Fevereiro de 1317,
para o cargo. Com efeito, os portulanos genoveses conhecidos até essa data não fornecem
qualquer indicação sobre ilhas no Mar Oceano. A partir de então, entretanto,
registam-se:
Seguem-se extratos obtidos parcialmente na Internet
Portulano de
Gabriel de Valseca (1439).
- 1325 - portulano de Angelino Dalorto ("Angellinus de Dalort", possivelmente Angelino Dulcert), assinala uma ilha, a oeste da Irlanda, denominada como "Bracile";
- 1339 - portulano de Angelino Dulcert assinala não apenas a ilha "Bracile", como outras, nas alturas dos atuais arquipélagos das Canárias (descoberto anteriormente a Agosto de 1336 pelos portugueses e nomeando a Canária, Lançarote, Forteventura e outras) e da Madeira, e ainda a "Capraria", que alguns autores associam ao conjunto das atuais ilhas de Santa Maria e São Miguel.
"(…) Llegamos a la primera
isla que dizen gresa e apres della es la isla de lançarote (…) bezimarin (…)
rachan (…) alegrança (…) uegimar (…) forte ventura (…) canária (…) tenerife (…)
del infierno (…) gomera (…) de lo ferro (…) aragauia (…) saluage [Ilhas
Selvagens, no arquipélado da Madeira] (…) la isla desierta [Ilhas Desertas,
idem] (…) lectame [Madeira] (…) puerto santo [Porto Santo] (…) la isla del lobo
[Ilha do Lobo ou do Ovo, atual Santa Maria], y a otra isla de las cabras [Ilha
de São Miguel], y a otra isla del brasil [Ilha Terceira], y a outra la columbaria
[Ilha do Pico], y la otra la isla de la ventura [Ilha do Faial], y la otra isla
de sant Jorge [Ilha de São Jorge], e la otra la isla de los conejos, y la otra
isla de cuervos marinos [ilha das Flores]."
Após esta descrição, manter-se-ão
os nomes das ilhas dos Açores nas cartas náuticas, por mais de um século: - 1351 - o Portulano Mediceo Laurenziano (Atlas Laurentino, Atlas Mideceu), atualmente na Biblioteca Medicea Laurenziana, em Florença, na Itália, assinala um grupo de sete ilhas, dispostas no sentido norte-sul, designadas por "insule de Cabrera [Santa Maria e São Miguel], insule de Brazil [Terceira], insule de Venture [Faial], Ave de Colombis [Pico], Corvis Marinis [Flores]" e duas outras sem designação.
- 1375 - o Atlas Catalão, de Jehuda Cresques, atualmente na Bibliothèque Nationale de France, em Paris, que já nomeia a ilha de São Jorge.
- 1384 - o Atlas Pinelli-Walckenaer, atualmente na British Library, assinala da ilha de Santa Maria.
- c. 1384 - o Atlas Corbitis, atualmente na Biblioteca Nazionale Marciana, assinala as ilhas dos Açores.
- 1385 - o portulano maiorquino de Gulermo Soleri (também grafado como Solerio), na Bibliothèque Nationale de France, assinala as ilhas anteriormente apontadas e mantém a indicação da "Capraria" (Santa Maria e São Miguel).
- 1413 - o portulano de Mecia de Viladestes (Mecia Viladestes), também na Bibliothèque Nationale de France, assinala a ilha de Santa Maria.
- 1426 - a carta de Giacomo Giroldi, assinala a ilha de Santa Maria.
- 1435 - o planisfério de Baltista Beccario.
- 1436 - o atlas de Andrea Bianco, assinala os Açores.
- 1439 - a carta de Gabriel de Valseca (ou Valsequa) traz a indicação sobre o arquipélago: "Estas ilhas foram achadas por Diogo de Silves (ou Sunis?12 ) piloto de El-Rei de Portugal no ano de 1427".
1427 - Diogo de Silves, conforme o mapa de Valseca;
A Carta-régia de 2 de julho de 1439, passada por Pedro de Portugal, 1.º Duque de Coimbra, regente na menoridade de Afonso V de Portugal, refere apenas sete ilhas nos Açores. Esse número foi aumentado para nove quando Pedro Vasquez de la Frontera e Diogo de Teive, em 1452, encontraram as ilhas das Flores e Corvo15 , então designadas como "Ilhas Floreiras".
Sobre o descobrimento, o cronista Diogo Gomes de Sintra, referiu em 1460:
"Em certo tempo, o Infante D. Henrique, desejando descobrir logares
desconhecidos no Oceano occidental, com o intuito de reconhecer se existiam
Ilhas ou Terras firmes além das descriptas por Ptolomeu, mandou caravelas em busca destas terras. Partiram e viram terra ao ocidente
tresentas léguas além do cabo - Finis Terrae - e, vendo que eram Ilhas, entraram na primeira, acharam-na
desabitada e andando encontraram muitos muitos milhafres ou açores, e outras aves; e passando à segunda, que hoje se chama a
Ilha de S. Miguel, que igualmente estava desabitada, acharam muitas aves e
milhafres, assim como abundantes nascentes d'agus quentes sulfureas. D'ali
viram outra ilha que na actualidade se chama Ilha Terceira, a qual à semelhança
da ilha de S. Miguel, estava cheia d'arvores, aves e muitos açores. (...)
Aquelas caravelas voltaram a Portugal a comunicar ao referido
Infante as descobertas que tinham feito, com o que ele folgou muitíssimo."
É certo que, a partir de meados
da década de 1420, os Açores começaram a ser
regularmente visitados por expedições portuguesas. Com início nas ilhas do
Grupo Oriental, mais próximas do continente europeu, prosseguindo para o Grupo
Central, o reconhecimento das ilhas avançou rapidamente. Todavia, as ilhas mais
ocidentais (Flores e Corvo) só depois de 1450 foram alcançadas por marinheiros portugueses, quando as restantes
ilhas já albergavam uma razoável população residente. O ingresso destas no
domínio português deu-se por Pedro
Vasquez de la Frontera e Diogo de Teive em 1452, no regresso de uma das viagens para o Ocidente à procura das
outras ilhas míticas, ou talvez no regresso de uma pescaria na Terra dos
Bacalhaus (a actual Terra Nova, no Canadá).As primeiras expedições, para além do reconhecimento das costas e dos locais onde era possível desembarcar com segurança e fazer aguada, também se destinaram a lançar animais domésticos (ovelhas, cabras, porcos e galinhas) que pudessem ajudar a sustentar uma futura presença humana. No que respeita a São Miguel, há também referência a um grupo de escravos que terá sido deixado na foz da Ribeira da Povoação por meados da década de 1430.
No que
respeita à organização religiosa, os Açores, como as restantes terras do
além-mar português, começaram por estar sujeitas à jurisdição espiritual da Ordem de Cristo, exercida pelo vigário "nullius"
de Tomar, que mandava visitar as ilhas por representantes, os chamados
"bispos de anel". Ao ser criada o bispado do Funchal (1514), o arquipélago passou para a jurisdição desta. A pedido de João III de Portugal, o papa Clemente VII criou o bispado de São Miguel (1533), mas veio a falecer antes da respectiva bula ter sido expedida.
No ano seguinte, o recém-eleito papa Paulo III, pela "bula Aequum reputamus", de 5 de novembro de 1534, erigiu o bispado de São Salvador do Mundo, dando-lhe por catedral a igreja
do mesmo
nome na cidade
de Angra, ficando esta sé sufragânea do arcebispo do Funchal até 1550, data em que passou para a
dependência da Diocese de Lisboa. A jurisdição do bispo de Angra
abrange todas as ilhas, daí que a diocese seja hoje por vezes, embora
incorrectamente, designada por Diocese de Angra e Ilhas dos Açores.
Nos termos
da criação da donataria, ficava à conta do donatário, e após a incorporação na
Coroa, do próprio soberano, a construção da capela-mor dos templos, a
respectiva decoração e o fornecimento das alfaias sagradas. Competia à Ordem de Cristo a nomeação e a supervisão do clero. Em
consequência, foram os franciscanos, com particular destaque para a corrente dita
"espiritual" da ordem, os primeiros organizadores do culto, tendo,
com excepção da Ilha do Corvo, fundado conventos em todas as
ilhas. Tal explica a forte carga joaquimita ainda está presente na religiosidade do povo açoriano, traduzida
no culto do Espírito Santo, na força das respectivas Irmandades e nas crenças associadas aos dons do
Paráclito. A raiz das
coroações e da celebração dos bodos, que hoje estão oficializados no Dia dos Açores, mergulha neste fundo místico e milenarista que já estava bem
patente na sociedade açoriana do século XVI. Contribuindo para essa carga de
misticismo, desde muito cedo os colonos se aperceberam da natureza imprevisível
das ilhas: na noite de 21 para 22 de outubro de 1522, um violento sismo provocou um grande escorregamento de terras
nas encostas sobranceiras a Vila Franca do Campo, causando o soterramento da
maior parte da vila, então capital de São Miguel. O efeito combinado do sismo e
do soterramento provocou a morte a alguns milhares de pessoas, ficando gravada
na memória colectiva na forma do tradicional "Romance de Vila Franca". A esta catástrofe
seguiu-se uma epidemia de peste, que também vitimou milhares, e
logo erupções vulcânicas em São Miguel, no Pico e em São Jorge, fazendo do
século XVI o mais calamitoso da história açoriana. É revelador que seja neste
século que surge pela primeira vez a palavra "mistério" para designar as escoadas
lávicas recentes.
Com a
expansão da navegação marítima e do conhecimento europeu do mundo que ocorre
entre os finais do século XV e meados do século XVI, os Açores passam
rapidamente da situação de terra remota nos confins do mundo conhecido para
encruzilhada das navegações atlânticas e lugar de partida para novas
explorações, particularmente no Atlântico Noroeste. A partir dos Açores são
organizadas viagens de exploração e pescaria à Terra Nova com um pioneirismo que, a ter
vencimento a teoria de Edmund Delabarre sobre a Pedra de Dighton, fez dos navegadores portugueses da época os
primeiros europeus a chegar àquelas costas após o fim das navegações vikings. Neste século, o estabelecimento da rota marítima para a Índia e
Extremo Oriente, o descobrimento e início da colonização do Brasil e a expansão
castelhana nas Américas (as Índias de Castela), associadas à descoberta da
"volta do largo", que obrigava os navio de
torna viagem a passar nas imediações dos Açores, rapidamente tornam Angra na universal escala do mar
ponente, nas palavras do historiador Gaspar Frutuoso. Esta situação de centralidade atlântica
leva a que as ilhas sejam visitadas por Cristóvão Colombo no regresso da sua famosa viagem
de 1492 (na ilha de Santa Maria), que Paulo da Gama, o infortunado irmão de Vasco da Gama, esteja sepultado na Terceira, vítima das agruras da viagem à
Índia, e que a posição geoestratégica das ilhas desperte os cuidados de ambas
as cortes ibéricas.
O comércio
cresce rapidamente e as ilhas tornam-se numa posição chave no reabastecimento
(daí a criação da Provedoria das Armadas) e protecção das armadas de
torna viagem. Para além do fornecimento de víveres e aguada, os Açores, e em particular a Terceira, servem de local de reagrupamento, para formação de comboios que
fornecessem protecção contra os piratas que infestavam a periferia europeia, e
de transbordo das mercadorias, em especial de preciosidades, que ficavam a
aguardar transporte seguro para os portos portugueses. Quando a 31 de Janeiro de 1580 faleceu o cardeal-rei D. Henrique e se consuma a grande crise
sucessória em Portugal, a sociedade açoriana, apesar de ter decorrido apenas
pouco mais de um século desde a colonização, já se encontra completamente
estruturada, com a repartição do poder estabilizada entre as câmaras
municipais, o corregedor e os capitães do donatário. As cidades de Angra e de Ponta Delgada eram já os centros políticos do arquipélago, com Angra assumindo
um claro predomínio, já que, para além do seu papel de entreposto marítimo, era
a sede do bispado, do provedor das armadas e o local de maior permanência do
corregedor. Por esta altura estavam também já formadas as principais povoações
açorianas. Conforme se pode ver do desenho de Jan
Huygen van Linschoten, feito no
fim da década, a cidade de Angra já tinha os traços urbanísticos que ainda hoje
mantém. Em meados de 1580, com Ciprião de Figueiredo no cargo de corregedor, com
atividade centrada na Terceira, e com a poderosa família Gonçalves da Câmara como capitães-donatários de São
Miguel, estavam criadas as condições para as diferentes opções das ilhas nos
acontecimentos dos anos imediatos e para que os Açores assumissem pela primeira
vez um papel fulcral na política portuguesa.
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Um
importante legado destes açorianos, de espírito pioneiro, universalista,
curioso e sem muitos preconceitos se deve também a iniciativa da mestiçagem tanto com
indígenas quanto com afrodescendentes. Em Mangaratiba, no século XIX, ocorreu verdadeiro melting pot estimulado por
um ambiente de negócios efervescente. Na figura abaixo vê-se o que restou de
aldeamentos indígenas no Estado do Rio de Janeiro.
Nossa
Senhora da Guia era o mais antigo,
melhor integrado e mais próspero destes aldeamentos até a criação da ferrovia
para Minas e São Paulo. Isto proporcionou aos tupinambás desta região
oportunidade de adaptar-se mais rápido e melhor com os colonizadores tanto
portugueses, quanto das demais nações que ali aportaram. Foi neste ambiente que
Andreza Maria, índia tupinambá, pentavó do autor se casou com o pardo Mendo
Pinheiro e sua filha cabocla casou-se com um português. Foi graças a este
ímpeto de açorianos que o próprio Antonio
José Meirelles (primeiro) se uniu com Maria Leonor da Guia, parda.
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Já alguns outros ancestrais de Anna vieram do Norte de Portugal, uma região que sempre guardou características sócio-econômicas diferentes das outras regiões portuguesas. No Norte de Portugal havia a predominância de mulheres entre a população e uma grande porcentagem de casas chefiadas por mulheres, porque muitos homens emigravam para outras regiões do reino ou para as colônias, sobretudo para o Brasil. O destaque social e enriquecimento dos avós e pais de Anna, bem como do avô paterno de Domingos se explica por terem vindo com algum recurso de Portugal e também por terem se miscigenado com os nativos.
Quando vinham para o Brasil, os portugueses, que tinham algum
recurso ou eram nobres, ocupavam o topo
da pirâmide social no período colonial. Ser nascido em Portugal era a norma no
século XVI e XVII da elite, mas não algo obrigatório. Mais do que ser português
nato, era necessário comprovar a "pureza de sangue" (ausência de antepassados
judeus, mouros, índios e negros), até certo número de gerações, além de estudos
em Portugal, geralmente na Universidade
de Coimbra. A "nobreza" colonial era composta
pelos senhores de engenho e pelos "homens bons" das câmaras
municipais. No segmento superior da sociedade figuravam os proprietários
rurais, os grandes comerciantes do litoral, os mineradores enriquecidos e a
alta burocracia. Os proprietários rurais eram os senhores de engenho,
proprietários de fazendas canavieiras, pecuaristas nordestinos e gaúchos,
latifundiários que se autoproclamavam a "nobreza da terra", sobretudo
os primeiros. Os grandes comerciantes do litoral, discriminados pela aristocracia
da terra, eram quase sempre impedidos de exercer cargos públicos, só adquirindo
um status elevado após o período pombalino em Portugal. No século XVIII surgiu
o novo grupo social, composto pelos mineradores de ouro e diamantes,
responsáveis pela edificação das cidades barrocas de Minas Gerais. Por fim, a alta burocracia colonial,
composta de administradores (governadores, secretários, juízes, ouvidores,
desembargadores, militares graduados, técnicos fazendários e autoridades
eclesiáticas, como bispos e arcebispos). Os ancestrais de Anna eram basicamente
negociantes e por isso eram mais propensos a se casarem, ou terem filhos
naturais com as moças locais. Cuirosamente é a família Pinheiro que eram pardos
livres os únicos inicialmente a se
dedicarem a política.
Mas nem tudo era cor de rosa para todos. Houve chacinas de
açorianos pelos nativos. Na capital do Reino e mais ao sul vieram açorianos sem
recursos. Assim havia portugueses no setor intermediário da sociedade colonial.
Esse setor não chegava a compor uma classe média, como nos países de economia
industrial, mas uma classe heterogênea que conseguia escapar da dicotomia
"senhor-escravo". Na região açucareira, era composta pelos lavradores
de cana menos abastados e os assalariados do engenho. Nas regiões pecuaristas,
os vaqueiros que conseguiam criar gado suficiente para estabelecer a sua
própria criação. Em São Vicente, Mangaratiba e no Rio de Janeiro o pequeno
proprietário que, no contexto da pobreza da região, possuía alguns recursos se
infiltrava até mesmo dentro da aristocracia local. Sem dúvida foi a região de
influência da mineração, desde Minas ao Rio, a que mais propiciou o crescimento
desse setor intermediário, uma vez que o caráter urbano daquela sociedade
aumentava as oportunidades, como para comerciantes e tropeiros. Na base da
pirâmide social estavam os homens livres pobres (brancos, mamelucos, mulatos,
libertos), os indígenas e os escravos (negros e índios). Dentro desse grupo
estavam os vaqueiros das áreas pecuaristas (ao longo do rio
São Francisco, partes
do Nordeste e do Sul), que exerciam sobretudo a lavoura de subsistência.
Há poucos documentos
referentes à imigração portuguesa para o Brasil entre 1822 e 1850, o que levou
muitos historiadores a ignorar esse período menos documentado, o que não quer
dizer que não houve um substancial deslocamento de lusos no período posterior à
independência. Apesar da inconsistência dos dados, uma vez que, nessa época,
muitos imigrantes chegavam e não eram registrados, pode ser calculado que
26.785 portugueses entraram no Rio de Janeiro entre 1826 e 1850. O
representante do governo português no Rio, Idelfonso Leopoldo Bayard, afirmou
que a demanda por trabalhadores portugueses era tão grande que qualquer
imigrante encontrava emprego em menos de oito dias após a chegada. Muitos dos
que chegavam não portavam passaporte, normalmente pessoas sem recurso que viajavam
com algum tipo de subsídio de capitães de navio, que lucravam com o transporte
de imigrantes. Estes eram aliciados como trabalhadores endividados, uma vez que
qualquer um que pudesse pagar o valor da passagem adquiria esse trabalhador,
que lhe ficava devendo até que conseguisse saldar a dívida. O representante da
Legação Portuguesa no Rio de Janeiro denunciou que havia uma escravidão branca
"em todos os navios provenientes do Porto e dos Açores se exportam para
aqui duzentas e mais pessoas tanto dum como d'outro sexo com as quais se
trafica a sua chegada como se fossem africanos".
Desde 1816 D
João VI, preocupado com o povoamento do sul do Brasil, usou uma Resolução do
Conselho Ultramarino para evitar o risco de que alguma parte da colônia pudesse
se transformar num quisto estrangeiro, estimulou a vinda de casais de ilhéus e
de estrangeiros alemães, italianos e de outras nações, desde que não sejam
castelhanos, ingleses, holandeses e franceses. As primeiras colônias desde
Mangaratiba até Santa Catarina receberam migrantes dos Açores e da Madeira.
Todavia a maior parte dos assentados foi dizimada pelos silvícolas. Com relação
aos ancestrais aqui estudados sabe-se pela tradição familiar que conseguiram
aproximar-se dos nativos e iniciarem a miscigenação que os salvou das matanças
que ocorreram nesta época. Muitos destes
migrantes vinham das Ilhas dos Açores, e eram mandados para fazendas de café
para trabalhar sob o sistema de parceria. Esse sistema foi usado no interior da
província de São Paulo, onde colonos suíços e alemães já estavam engajados como
trabalhadores. Porém, em 1857, uma rebelião contra a exploração nas fazendas,
ocorrida em Ibicaba, liderada pelo imigrante suíço-alemão Thomas Davatz,
repercutiu na Europa
Central, o que
estimulou a adoção de medidas restritivas dos Estados Alemães e da França
contra a vinda de mais imigrantes para o Brasil. O governo português, porém,
era freqüentemente acusado de tratar com "indiferença" as notícias e
reclamações de exploração de cidadãos portugueses em fazendas de café. Os
açorianos não foram escravizados no Brasil, mas o convívio de assalariados com
escravos tornou inevitável a associação entre escravidão e as precárias
condições a que eram submetidos esses imigrantes. Os açorianos que foram para
Mangaratiba tinham algum recurso suficiente para montarem pequenos negócios e
escaparam tanto da exploração quanto de lusofobia.
A imigração
portuguesa para o Brasil, na primeira metade do século XIX, foi bastante
reduzida, quando comparada àquela ocorrida no século anterior, devido à
expansão da economia mineradora, e à imigração em massa que aconteceria após
1850. Porém, foi notável a presença de jovens caixeiros, filhos segundos ou
terceiros de lavradores mais abastados do Minho, que eram mandados para a Bahia
ou para o Rio de Janeiro, empregando-se em casas comerciais de compatriotas,
que controlavam o comércio brasileiro. Esses caixeiros portugueses, que
dificilmente se assemelhavam ao elemento colonizador de outrora, acabaram
sofrendo com o discurso antilusitano que viria a crescer após a independência Após
a independência, o estado do Rio de Janeiro (sobretudo a capital) recebeu a
maioria dos imigrantes portugueses que vieram para o Brasil. Isto porque era a
região de economia mais dinâmica do País, concentrando as ofertas de trabalho. Diferentemente
dos que foram para Mangaratiba, para a capital, foi direcionada uma imigração
portuguesa espontânea, predominantemente masculina. Ali, os portugueses
disputavam as vagas de trabalho lado a lado com negros e pardos, ou seja, se inseriam no mercado
de trabalho de forma similar aos brasileiros, recebendo salários aviltados e se
submetendo a longas jornadas de trabalho. Uma expressiva parcela dessa população era
oriunda de regiões interioranas do norte de Portugal, notadamente entre Beira Alta e Alto
Trás-os-Montes e eram, em
sua maioria, extremamente pobres, majoritariamente homens sozinhos, embora
grupos familiares com grande número de mulheres e crianças não fossem raros. Ao chegarem ao
Brasil, procuravam parentes ou se instalavam em pequenos cortiços. A maior parte desses imigrantes
se dedicou ao comércio: pequenas vendas e padarias, chegando ao ponto de dominarem
essas duas atividades em várias regiões do Brasil. Outros, tornaram-se
operários nas nascentes indústrias brasileiras.
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Certidões da família Amaral em Mangaratiba
1827 9/set. Luiz Morais do Amaral f Fco Ant do Amaral da Freguesias de Sam Pedro na Ilha de Sam Miguel e Engracia Gomes de
Morais neto p de Mel do Amaral e Anna de Jesus Amaral neto m Manoel Pacheco Galindo e Januaria
Gomes de Morais
1828 8/dez Tereza
Morais Amaral f de Fco Ant do Amaral e
Engracia Gomes de Morais neta p de Manoel do Amaral e Anna de Jesus neta m
Manoel Galindo e Januaria Gomes de Ilha Grande
· Batismos 1826, Maio-1839, Abr Imagem 68
1830 24/jan José
Morais do Amaral f de Fco Antonio do Amaral e Engracia Gomes de Morais
· Batismos 1826, Maio-1839, Abr Imagem 68
1829 7/jun Bernardo Amaral d´ Oliveira f de Jacinto Alvares
d´ Oliveira e Ma Candida do Amaral -
desconhecidos possíveis parentes.
· Batismos 1826, Maio-1839, Mangaratiba NS da
Guia
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( abaixo ) Aos 21 de junho de 1839 nesta paróquia de Nossa Senhora da Guia de Mangaratiba em minha presença e das testemunhas abaixo assignadas compareceu Domingos Joaquim d’ Araujo Osorio, dizendo-me, que tinha huma filha natural de nome Gertrudes , nascida a 8 de dezembro de 1836 e baptizada nesta Igreja Parochial a 18 do dito mez e anno, por mim; a qual filha de Anna Joaquina, natural dessa Freguesia neta paterna de Francisco José Ozorio e Maria da Conceição todos naturais de Chaves (distrito de Vila Real em Trás-os-montes).
( abaixo) Chaves em Portugal e materna de Mendo Pinheiro, pardo livre (ou taiguara), natural da Freguesia d’ Angra dos Reis e Andreza Maria, India, natural desta Parochia: foi Protetora NS da Guia; Padrinho Francisco Pimenta d’ Oliveira: e perante as testemunhas presentes , disse o sobredito Domingos Joaquim d’ Araujo Ozorio que reconhecia a referida Gertrudes por
( abaixo) sua filha natural, e que por não ter feito o assento correspondente, me pediu que agora
lhe fizesse declarar que não faça duvida sobre o assento do Baptismo, que se
acha a folha cento e trinta e nove do livro terceiro pois foi outra innocente,
ainda que filha da mesma mãe, ehe fallecida, e tinha o mesmo nome de Gertrudes,
e que tudo prezenciarão as testemunhas sendo uma delas padrinho da referida
innocente: do que fez o assento justo,
que comigo assignou etc...
Domingos Joaquim , pai de Gertrudes era dono de escravos como se vê abaixo.
Miscigenação em Mangaratiba
A miscigenação em Mangaratiba iniciou-se no século XVI pois
os Tupinambás e tupiniquins catequizados
pelos jesuítas foram aliados dos portugueses. Destacou-se como líder Cunhambebe- Chefe Supremo de uma nação que se compunha de tribus ocupantes de um território que ia do Rio Juqueriquerê em
Caraguatatuba, no Estado de São Paulo, até o Cabo de São Tomé, ou Cabo Frio, no
Estado do Rio de Janeiro, estendendo-se por todo o Vale do Paraíba entre os
Estados do Rio e São Paulo.
![]() |
| Cunhambebe da Nação Tupinambá |
A ação dos primeiros
colonizadores Portugueses que destruiu várias tabas indígenas e a escravização
dos nativos como mão obra de
ultra-barata para os engenhos de
cana-de-açúcar, gerou uma revolta indígena que criou a poderosa Confederação dos Tamoios que se associou aos
Franceses da colônia da França Antártica na baía de Guanabara, ameaçando a hegemonia e integridade do empreendimento colonial
Português.
Foram Cunhambebe de Mangaratiba , Aimberê de Uruçu Mirim – atual Flamengo no Rio de Janeiro, Pindobuçú da Gávea e Coaquira, os principais tuxauas Tupinambás, que com a mediação dos Jesuítas celebraram com os Portugueses o Tratado de Paz de Iperoig, em Ubatuba. Foi este tratado que promoveu a unidade do Brasil com uma só língua (o tupi até o século XVIII), uma só fé e um só território.
O tupinólogo Capistrano de Abreu garante terem existido dois Cunhambebes: O Pai, famoso guerreiro, contemporâneo de Hans Staden e de André Thevet e o filho, contemporâneo de Anchieta e figura central e instrumental no Tratado de Paz de Iperoig, Sendo ambos indivíduos de grande porte como todos os tupinambás, eram conhecidos por sua força descomunal, coragem indômita e uma dureza e ferocidade raras.
Foram Cunhambebe de Mangaratiba , Aimberê de Uruçu Mirim – atual Flamengo no Rio de Janeiro, Pindobuçú da Gávea e Coaquira, os principais tuxauas Tupinambás, que com a mediação dos Jesuítas celebraram com os Portugueses o Tratado de Paz de Iperoig, em Ubatuba. Foi este tratado que promoveu a unidade do Brasil com uma só língua (o tupi até o século XVIII), uma só fé e um só território.
O tupinólogo Capistrano de Abreu garante terem existido dois Cunhambebes: O Pai, famoso guerreiro, contemporâneo de Hans Staden e de André Thevet e o filho, contemporâneo de Anchieta e figura central e instrumental no Tratado de Paz de Iperoig, Sendo ambos indivíduos de grande porte como todos os tupinambás, eram conhecidos por sua força descomunal, coragem indômita e uma dureza e ferocidade raras.
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Veste de litúrgica de plumas para prática
de canibalismo ritual supervisionado pela arara divina
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