quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Cap. 4 Ascendentes de Domingos - A Família Amaral

Cap 4 Ascendentes de Domingos - 4.1.1 Família Amaral



Em construção permanente
Esta é a continuação do capítulo de mesmo número no endereço abaixo
domingosejoanita.blogspot.com
Nota: O capítulo imediatamente anterior está no link abaixo
http://domingosejoanita05.blogspot.com.br/2015/01/cap-5-ascendentes-de-joana-cont.html

Anna Osorio do Amaral - a matriarca



Foto de D Anna em 1927 - 66 anos
O Blog seguinte se ecnontra no link abaixo:
http://domingosejoanita062.blogspot.com.br/

Suma:  Este grupo familiar liga-se aos MEIRELLES  pelo casamento de Anna Osorio do Amaral( N a 15/set/1861 em Mangaratiba bat em NS da Guia a  e Falecida a 194X. )  com Antonio José de Meirelles II  a  22/11/1879 (na Igreja de S Joaquim – Divino Espírito Santo).Estes são pais de Domingos José Meirelles,  casado com Joanna Vianna Raming, avós de Iracema Raming Vianna Meirelles (Quintella) que por sua vez é minha mãe. Como se  verá este ramo realiza plenamente o ideal do melting –pot. A miscigenação fica claramente comprovada documentalmente, mostrando inclusive que nenhum de seus membros sofreu qualquer tipo de restrição ou preconceito marcante em sua ascensão social. Este ramo se forma em Mangaratiba,  porto localizado a 85 km ao sul da cidade do Rio de Janeiro que foi muito movimentado nos séculos XVIII e XIX. Este termo é tupi-guarani e significa muitos mangarás. Mangará é uma planta (Caladium poecile) da fam. das aroideáceas, cujos tubérculos são alimentícios e largamente cultivados e consumidos pelos indígenas.  Mas outros tubérculos também recebem eventualmente  este nome. Pela primeira vez o termo é citado pelo Pe Fernão Cardim, SJ (secretário do Visitador da Cia de Jesus) em "Tratados da Terra e da Gente do Brasil"de Ca 1580.
Toda família tem seus segredos, o unheimlich ” tudo que deveria permanecer secreto, escondido e se manifesta”, (Freud em   texto publicado em 1919 menciona esta figura quando analisa o conto de Hoffman intitulado “O homem de Areia”. “O estranho”. In: Obras Completas.Vol. XVII. RJ: Imago, 1996.)  Na família Meirelles sempre se mencionava a herança indígena com certo desdém algumas vezes. Neste ramo é que se  identifica claramente  esta origem tupinambá que ao ser estudada  por alguns membros da família, após o sucesso retumbante de Domingos José Meirelles, acabou fazendo qe todos tivessem  muito orgulho de suas origens, que misturaram indígenas com Açorianos e Trasmontinos com  afro descendentes.


Anna Osorio do Amaral
Filha de Felippe Antonio do Amaral (N 9/set/1836 bap 26/dez/1836 , em NS da Guia, F com 77 anos Ca. 14/novembro/1913 no  Engenho Novo , (sobrinha de Luiz, Tereza e José, irmãos de Filippe) e de Gertrudes Maria Osorio,( N 8/ dezembro/ 1836 e bap nesta em NS da Guia Mangaratiba  a 18/dezembro/1836 casados a  XX/XX/1858?, F a 4/3/1890 aos 54 anos).
                              Ascendência de Anna
                               
Neta Paterna de  Fco Anto do Amaral, (natural da freguesia de Ribeira Grande, Ilha de São Miguel,  Açores) e Engracia Gomes de Morais natural da Villa da Ilha Grande.

Bisneta paterno-materna de Manoel do Amaral  e Anna de Jesus, (naturais da freguesia de Sam Pedro Ilha de São Miguel, Açores.
 Bisneta paterno-materna de Manoel Pacheco Galindo e Januária Gomes de Morais naturais da Villa de Ilha Grande.

Neta materna natural de Domingos Joaquim d’  Araujo Osorio natural de Chaves (distrito de Vila Real em Trás-os-montes) e Anna Joaquina natural de NS da Guia de Mangaratiba,  
                                        
 Bisneta materno-paterna de Francisco José Ozorio e Maria da Conceição todos naturais de Chaves (distrito de Vila Real em Trás-os-montes)                                                                                   
 Bisneta materno-materna de de Mendo  Pinheiro, pardo livre, natural da Freguesia d’ Angra dos Reis e Andreza Maria, Índia tupinambá, natural de NS da Guia de Mangaratiba

Provas documentais comentadas: Filippe Antonio Amaral Imagem 199  Brasil, Registros Paroquiais e Diocesanos,  Rio de Janeiro, Mangaratiba,  Nossa Senhora da Guia, Batismos 1826, Maio-1839, Abr 




Filippe N 9/set/1836 bap 26/dez/1836 fo de  Francisco Antonio do Amaral da Freguesia  da Ribeira Grande na Ilha de  São Miguel (Açores) e Engracia Gomes de Moraes de Angra dos Reis, neto paterno de Manuel do Amaral e Anna de Jesus naturais da Ilha de São Miguel - Açores, neto materno de Manuel Pacheco Galindo e Januaria Gomes de Moraes de Ilha Grande  - Angra dos Reis


A imigração de casais açorianos para o sul do Brasil  começou em 1617. Durante cinco anos, até 1753, deram entrada, no sul do Brasil, 1178 casais açorianos, totalizando 6 492 pessoas. Muitos açorianos, tanto os pobres como os que tinham algumas posses, imigraram para o sul do Brasil porque a miséria grassava no Arquipélago, na era de Setecentos, como resultado do fraco desenvolvimento das ilhas na produção do trigo e do pastel (outrora, a sua maior riqueza), acrescido do excesso demográfico que atingiu um caráter cíclico nas ilhas maiores. Os açorianos aparecem na história do Brasil em diversas regiões e estão distribuídos pela Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, S. Paulo, Amazonas, Pará, Paraíba, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Atualmente, vivem no Brasil 1 milhão e 200 mil portugueses, sendo a maior parte açorianos e seus descendentes. No Rio de Janeiro arribaram muitos homens solteiros jovens para  “ Fazer o Brasil  “. Estes foram os que mais contribuiram para a miscigenação.


UMA NOTA SOBRE PASTEL DOS AÇORES

Pastel é o nome comum da planta Isatis tinctoria, uma angiosperma cujo extracto fermentado das suas folhas era usado como corante azul em tinturaria e pintura. O corante era também usado em pinturas corporais e para fins medicinais. Com a introdução do índigo e do anil, caiu em desuso. A sua utilização actual limita-se à tinturaria artística e à de tecidos orgânicos (isto é produzidos sem recurso a produtos sintéticos). A autoridade científica da espécie é L., tendo sido publicada em Species Plantarum  .



 

Segundo pesquisa realizada por João Ventura em Ribeira Grande ilha de S Miguel foi encontrada  uma certidão suspeita de ser a de nascimento de Francisco Antonio do Amaral copiada e transcrita a seguir.
  




Francisco, filho de Manoel do Amaral e de Anna da Ponte, naturaes desta parochial do Divino Espirito Santo, deste lugar da Maia, nasceo em o primeiro de Novembro de mil setecentos noventa e oito annos e foi baptizado nesta igreja parochial de seus paes, por mim, Antonio Joze Frazão, vigário della, em sete do dito mês e anno, foi padrinho Manoel da Ponte Cabral, viúvo, desta freguezia, foram testemunhas Manoel Joze da Silva e o sachristão desta igreja, João Moniz, que comigo assignaram este assento em dito dia, mês e era ut supra.
O vigário António Joze Frazão
Manoel Joze da Silva




Anna de Jesus da Ponte, por informação de familiares, é filha de migrantes venezianos ligados a tradicional família patrícia oriunda da ilha grega Negroponte (em grego - Eubéia) comerciantes ligados a carne bonina e ovina.




As freguesias da Ribeira Grande são as seguintes:
São Miguel é a maior das ilhas do arquipélago dos Açores. Tem área  de 746,82 km², medindo 64,7 quilómetros de comprimento e de 8–15 km de largura e uma população de 131 609 habitantes (2001), mais 4,5% que uma década antes. É composta pelos concelhos de Lagoa, Nordeste, Ponta Delgada, Vila da Povoação, Ribeira Grande e Vila Franca do Campo. Ao natural ou habitante da ilha denomina-se micaelense.


A Ribeira Grande é uma cidade portuguesa na ilha de São Miguel, Região Autónoma dos Açores, com uma população de 12.967 habitantes (INE, Censo de 2011) nas suas cinco freguesias urbanas. É sede de um município com 180,15 km² de área e 32 112 habitantes (20111 ), subdividido em 14 freguesias. O município é limitado a leste pelo município de Nordeste, a sul pelos de Povoação, Vila Franca do Campo e Lagoa, a oeste pelo de Ponta Delgada, e a norte tem costa no oceano Atlântico.





Igreja do Convento de São Francisco localiza-se no concelho da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, nos Açores.


Lomba de São Pedro é uma freguesia portuguesa do concelho da Ribeira Grande, com 6,99 km² de área e 284 habitantes (2011). Densidade: 40,6 hab/km². A principal actividade é a agricultura. Tem costa no Oceano Atlântico a norte e montanhas a sul. Foi criada a 15 de Setembro de 1980 em território anteriormente pertencente a Fenais da Ajuda FONTE: WIKIPEDIA



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HÁ FONTES SOBRE ANCESTRAIS AÇORIANOS EM PERIÒDICOS DIVERSOS
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Estes açorianos deixaram também uma tradição de contadores de histórias  cultores da sua cultura e patrimônio histórico. As memórias de Iracema Quintella que relatam o que Anna Osório do Amaral sua avó preservou para os netos. Uma delas é contada a seguir.



Um explosivo legado cultural dos ancestrais  açorianos:

«MAIS VALE MORRER LIVRES DO QUE EM PAZ SUJEITOS»


Além das múltiplas informações, histórias e costumes transmitidos pelas gerações através do manuscrito de Memórias de Família da bisavó do autor, Anna Osório do Amaral Meirelles, chegou até nós por intermédio da mãe do autor Iracema Vianna Meirelles Quintella a lenda do cavaleiro da Ilha do Corvo. A Açorianidade reflete uma fusão entre as culturas originais dos povos colonizadores (desde as duas grandes vagas oriundas, uma da região centro-sul de Portugal continental, outra do norte do país, a outras menos significativas que se podem identificar como vindas do norte de África, França, dos Países Baixos e tripulações do país Basco) que gestou em pleno Atlântico  novos modos de  vida e visão do mundo de caráter único. O meio temperou a personalidade de aço  dos açorianos pelo  isolamento, pelos sismos, pelas erupções vulcânicas, pelas invasões de piratas e por um clima cinzento. Licores e aguardentes são produzidos nas ilhas açoreanas. do Pico, da Graciosa e da costa norte da ilha Terceira com frutas exóticas. Culturas extensivas de trigo, milho, laranja, melões, cana-de-açúcar somada a intensa atividade piscatória de frutos do mar e pescadas deram a base da gastronomia açoriana que veio ao Brasil. Um gosto especial pela carne de baleia chegou até meus tempos de Universidade, na década de 1960, (tempo em que se vendia nos açougues do Rio de janeiro bifes de baleia de)  nas refeições caseiras com receitas originais da família refletindo a herança da indústria baleeira Açoriana e regados a vinhos Verdelho do Pico ou tintos da Terceira, Santa Maria, Graciosa. Havia também uns cozidos apimentados, ditos medievais, aos sábados, com toda a família que eram referenciados de forma histriônica como sendo afrodisíacos. Era também devorado, de vez em quando, o queijo Terra Nostra da Ilha de São Miguel. Isto sem falar nos doces portugueses tradicionais saboreados com vinho do Porto. Houve algumas celebrações memoráveis em que se consumiu couves da Barca, Feijão assado e broas de milho.
A lenda mais contada em casa para crianças versava sobre a princesa que se apaixonara por um jovem pastor. Como o rei não aprovou este romance eles tiveram que se separar e na despedida tanto choraram que suas lágrimas azuis formaram dois lagos de águas azuis da cor dos seus olhos.
Já a lenda do cavaleiro, todavia era aquela que mais provocava o interesse  e a curiosidade da garotada. Consta que havia na Ilha do Corvo ( também chamada de Insula Corvi Marini, Ilha do Marco ou Ilhéu, descoberta por volta de 1452 por Diogo de Teive e seu filho João de Teive e povoada depois de 1548) uma estátua maciça de pedra representando um ginete, vestindo uma capa curta, assentado  sem estribos no pelo   de uma montaria de porte avantajado assemelhado aos cavalos lusitanos.  Com uma das mãos apoiava-se no lombo da cavalgadura e com a outra apontava com o indicador para sudoeste em direção á terra da promissão – o Brasil.



O cronista Damião de Góis (1502-1574)a descreve assim:
"...uma estátua de pedra posta sobre uma laje, que era um homem em cima de um cavalo em osso, e o homem vestido de uma capa de bedém, sem barrete, com uma mão na crina do cavalo, e o braço direito estendido, e os dedos da mão encolhidos, salvo o dedo segundo, a que os latinos chamam índex, com que apontava contra o poente.
"Esta imagem, que toda saía maciça da mesma laje, mandou el-rei D. Manuel tirar pelo natural, por um seu criado debuxador, que se chamava Duarte D'Armas; e depois que viu o debuxo, mandou um homem engenhoso, natural da cidade do Porto, que andara muito em França e Itália, que fosse a esta ilha, para, com aparelhos que levou, tirar aquela antigualha; o qual quando dela tornou, disse a el-rei que a achara desfeita de uma tormenta, que fizera o inverno passado. Mas a verdade foi que a quebraram por mau azo; e trouxeram pedaços dela, a saber: a cabeça do homem e o braço direito com a mão, e uma perna, e a cabeça do cavalo, e uma mão que estava dobrada, e levantada, e um pedaço de uma perna; o que tudo esteve na guarda-roupa de el-rei alguns dias, mas o que depois se fez destas coisas, ou onde puseram, eu não o pude saber." (Crónica do Príncipe D. João, Cap. IX, 1567)

Dizem que D Manuel I, O Venturoso, o 14º Rei de Portugal, ao saber desse monumento mandou que o debuxador e arquiteto Duarte D’Armas a reproduzisse. Ao ver a imagem El Rei encomendou ao donatário Pedro da Fonseca que a estátua fosse transportada a Portugal. Para tanto participaram da empreitada João Lopes - mestre pedreiro do Porto, Damião de Góis – moço de câmara, cronista régio e Guarda-Mor da Torre do Tombo e Frutuoso de Góis -  Camareiro do Soberano. 



Na família a versão corrente era que todas histórias que explicavam a origem da estátua eqüestre eram fantasiosos até mesmo o seu conveniente desaparecimento no mar sem deixar rastros de sua existência. Diziam os açorianos de Mangaratiba que a intenção desta lenda era desmerecer o pioneirismo das descobertas portuguesas, tanto no Atlântico quanto no caminho das Índias.  Algumas explicações delirantes, por que nunca forma arqueologicamente confirmadas, e consequentemente serem consideradas  falsas pelos historiadores, atribuíam a descoberta dos Açores aos fenícios, ou aos Cartagineses. Como sstes povos frequentemente representavam os seus deuses com estátuas eqüestres veio a especulação desprovida de fundamentação que alimentou a imaginação dos incautos. Mais espetaculosa ainda foi a especulação de que esta estátua teria sido ali plantada pelos chineses.
Nas “Memórias de Família” manuscritas por Anna Osorio do Amaral Meirelles, (anotadas também por Izabel de Jesus escrava de AJM 2º, por Joanna Raming Vianna Meirelles e Iracema Vianna Meirelles Quintella) são mencionadas sessões de contação de histórias ao anoitecer quando as crianças se reuniam para ouvir estas aventuras dos feitos portugueses. Os olhinhos infantis brilhavam quando ouviam falar que Lisboa, no séculos  XV e XVI era o cais do mundo, apesar da pequenez da nação portuguesa. Todos os comerciantes europeus  ansiavam por participar de uma nova fronteira de negócios aberta pelos descobridores portugueses. Evidentemente muita inveja  e cobiça foi despertada nas mentes dos negociantes estabelecidos na ordem econômica precedente às grandes navegações lusas. Isto os levou a tentar negar ou pelo menos diminuir o seu valor e importância, visando é claro impedir qualquer garantia de exclusividade no comércio futuro feito por esta via.  Os europeus em geral estavam saturados e onerados pela exclusividade das repúblicas marítimas italianas Veneza, Gênova, Pisa e Amalfi  comerciarem sob controle dos otomanos  que bloqueavam as rotas de tráfico de especiarias, pedras preciosas, tecidos e etc...  com egípcios, árabes, persas, indianos e chineses.

Portugal com os descobrimentos marítimos, conseguiu bypassar pela retaguarda os otomanos e fez uma ligação direta e mais econômica entre as regiões produtoras das especiarias aos seus mercados na Europa, com isso eliminando muitos intermediários.
Francisco Antonio do Amaral, avô açoriano de Anna, natural de Ribeira Grande na Ilha de São Miguel  era um fervoroso defensor da supremacia lusitana e atribuía isto a sua capacidade adaptativa  e de ausência de preconceitos com relação a sexo e raça.   Como alíás este ramo demonstrou em sua miscigenação multirracial. Estas idéias eram partilhadas por seu filho Felippe Antonio do Amaral. Claramente eles argumentavam que estes concorrentes dos portugueses  ignoravam ou ocultavam estrategicamente que esta  estátua assentava sobre uma laje também de pedra, na qual estava esculpida a frase  “Jesus, avante!”, como uma incitação aos descobridores portugueses para que avançassem e expandissem a fé cristã para o ocidente. Diziam eles que ela havia sido ali posicionada pelos próprios pioneiros portugueses, no século XV, em viagens sigilosas  de exploração para planejamento de navegações futuras.
Afirmavam estes membros da família que Açores foi um dos últimos refúgios da mente templária . Estes cavaleiros nórdicos e os seus aderentes lusos, ajudaram de tal forma nas conquistas de Lisboa, de Santarém, de Silves e de tantas outras terras contra os mouros, que não é exagero o afirmar-se que Portugal foi, em parte substancial, formado com a ajuda desta nobre ordem religiosa militar e dos outros cavaleiros nórdicos. O único estrangeiro ainda hoje venerado da tomada de Lisboa foi o cavaleiro Henrique de Bona. Camões fala-nos dele e dos milagres da palmeira plantada na sua campa. A bula papal que estabelece a construção da Igreja de São Vicente de Fora, menciona que a mesma será erigida em cima dos corpos dos cavaleiros germânicos caídos na conquista da cidade. Houve uma expedição à corte do Negus da Abissínia, que  D. JOAO III cognominado O Piedoso ou O Pio (Lisboa, 6 de Junho de 1502Lisboa, 11 de Junho de 1557 - o décimo quinto Rei de Portugal, filho de D Manuel I, O venturoso)  encomendou a D. CRISTÓVÃO DA GAMA, um filho de D. Vasco da Gama,  com cerca de quatrocentos portugueses, para acudir ao Reino do Preste João que estava em grande perigo de passar de vez para a moirama. Após a sua vitória alguns destes cavaleiros se assentaram nos Açores. Afirmam os locais que foram eles que trouxeram  os rolos de pergaminhos coptas encontrados nos Açores. Isto parece ser confirmado por uma carta do Négus dirigida ao Rei de Portugal. 
 
Em família todos refutavam e riam muito destas lendas sobre o cavaleiro da Ilha do Corvo e do encontro de moedas e inscrições fenícias, como se fossem conversa para boi dormir. Mas acreditavam que por trás delas havia más intenções. Por exemplo em certo momento os castelhanos apoiaram este ardil para valorizar  uma fraude maior ainda: a de que Colombo descobriu a América e com isso reivindicar direitos no Novo Mundo. Nas rodas de família e de seus amigos   Colombo  não passou de um charlatão desinformado, que rejeitado em Portugal, propôs um projeto utópico aos reis de Castela, que eram ignorantes da geografia e, ainda que recém vitoriosos sobre os sarracenos, tinham se deixado dominar pela ambição desmedida  e eram politicamente  carentes de mais fama por conquistas que reafirmasse seu poder na Corte. Era claro para os portugueses que a missão vendida pelo genovês aos reis de Castela tinha um objetivo incorreto, cujo custo e tempo de execução era imprevisível e de resultado impossível de ser obtido. Efetivamente quando Colombo chegou numa ilhota irrelevante do caribe, não sabia para onde ia, nem aonde tinha chegado. Foi desprezado pelos reis de Castela após um massacre contra os índios. Esta visão não é de todo desprovida de sentido esta versão, pois quando se visita o museu Colombo em Valladolid, constata-se que o mito Colombiano  foi em verdade  construído por um sobrinho muito ganancioso que tentou reivindicar terras na América. Era voz corrente entre os Açorianos de Mangaratiba descendentes dos primeiros colonizadores das ilhas atlânticas que elas haviam sido usadas entre outras finalidades estratégicas de navegação, como base exploratória para as navegações em direção ao ocidente. Estes açorianos com seu espírito desbravador e independente é que contribuíram para a identificação real e concreta da existência de um continente a Oeste que impediria o caminho para as Índias, apesar da forma redonda da Terra, pela simples  e trivial travessia do Atlântico. Segundo o pai de Felipe Antonio do Amaral a lenda do cavaleiro estava  ligada a um português que introduziu os eqüinos  nas ilhas e participara de navegações independentes exploratórias. Nestas viagens foram percebidos sinais de terra próxima, como vegetais flutuando, aves terrestres. Estes marujos chegaram a esboçar mapas apócrifos que se assemelhavam muito às costas e mares da América desde a Flórida até o Rio Grande do Norte passando pelo caribe. Estes homens, liderados por este homem que introduziu o cavalo nas ilhas, foram os primeiros a defender a idéia que o destino dos lusitanos estava no Oeste.    Passou então a ser conhecido como o cavaleiro (por andar a cavalo), que apontava para  oeste, porque anunciava o destino manifesto dos lusitanos no oeste.   

Era bem claro na tradição oral da família, confirmado discretamente e parcialmente nos documentos históricos, que em Portugal, nos séculos XIV e XV havia pelo menos dois grandes grupos disputando o poder e o controle da direção das ações do Estado.  Um deles, que prevaleceu, preconizava o avanço sobre o continente africano rumo à Índia, ocultando em low profile todas as informações sobre o Ocidente Atlântico, visando preservá-lo para exploração futura. Contra este grupo havia os simpatizantes do avanço em direção a Oeste. Este último foi hostilizado e alguns de seus membros forçados  a migrar para as ilhas atlânticas (a Macaronésia, míticas ilhas Afortunadas dos Açores, Canárias e Madeira) para evitar a pecha de conspiração com os castelhanos. (Tal pecha surgiu do seu contato com Colombo que sequer entendeu os motivos e as limitações desta viagem rumo ao oeste. Isto agravou-se com a sua viagem e a descoberta das ilhas do Caribe.) Lá estes migrantes mantiveram a cultura  da navegação para oeste e a condenação de Colombo como oportunista e negação de sua descoberta  da América. Só puderam ver seu ideal  de navegação rumo a oeste prosperar a partir do século XVII intensificando-o até o século XIX, culminando com a mudança da capital do Império para o Rio de Janeiro. Hoje enfim, sabe-se que o primeiro grupo, com sua visão geopolítica incorreta, produziu não só o desastre de Alcácer Quibi, a morte de D Sebastião, a subordinação à coroa de Castela e  grandes perdas econômicas. 



Joaquim era descendente destes açorianos denominados cristóforos. Permaneceu na família a tradição  que estes migrantes tinham em mente que os muçulmanos agiam como concorrentes comerciais ressentidos com as perdas impostas pelas navegações lusas. Por outro lado eles pareciam guardar na memória a convivência dificílima com o fanatismo religioso islâmico e os consideravam traiçoeiros  e inimigos irreconciliáveis.  Era voz corrente na tradição familiar açoriana que os castelhanos temendo a expansão portuguesa fomentavam lendas pretensiosas, jamais comprovadas, de que fenícios e árabes muçulmanos já haviam descoberto o continente americano antes dos portugueses. Mas na verdade o que queriam era criar uma narrativa que negasse o pioneirsmo lusitano e subjugá-los como fizeram com os galegos, ao bascos, os catalães, os aragoneses etc...
Mas os açorianos divulgavam diversos relatos e fatos documentados sobre seu pioneirismo no Atlântico. Vangloriavam-se de ter sido pioneiros europeus a habitarem no Brasil. Justificavam esta crença em uma carta datada de 1514 de um certo Estêvão Fróis dirigida ao Rei de Portugal (cit. em  S B Holanda, História Geral da Civilização Brasileira)  Este lusitano havia sido preso por castelhanos por haver violado o tratado de Tordesilhas, assentando moradia há mais de 20 anos (ou seja desde 1493) em um lugar situado a 150 léguas ao sul do equinocial (portanto em pleno território brasileiro).  Relatavam ainda outra evidência deste pioneirismo, relembrando o julgamento  de tripulantes de uma nau francesa de nome Pélérine no tribunal de Baiona (cit. em  S B Holanda, História Geral da Civilização Brasileira) que haviam vandalizado Pernambuco em 1532. Nos autos do processo houve testemunhos que afirmaram que tanto o porto quanto o castelo atacados já eram habitados por lusitanos havia mais de 40 anos (portanto em 1492). Verdadeiros ou não, há historiadores que duvidam destes cálculos, feitos sobre estes casos reais,  com argumentos frágeis. O que é garantido é que os Açorianos eram ciosos da historicidade de seu pioneirismo. Cultivavam este açorianos também a leitura diária de trechos seletos dos Lusíadas como um evangelho lusitano das Navegações que comprovava sua paixão pela poesia. Lamentavam também ter-se perdido poema análogo sobre as viagens açorianas a Oeste. 

Registros da história de Portugal e dos Açores
As actividades de Portugal no chamado "Mar Oceano" iniciaram-se no tempo de D. Diniz, a partir da nomeação do Almirante-mor Nuno Fernandes Cogominho (1307), seguido da contratação do Genovês Manuel Pezagno), a 1 de Fevereiro de 1317, para o cargo. Com efeito, os portulanos genoveses conhecidos até essa data não fornecem qualquer indicação sobre ilhas no Mar Oceano. A partir de então, entretanto, registam-se:


Seguem-se extratos obtidos parcialmente na Internet

Portulano de Gabriel de Valseca (1439).
  • 1325 - portulano de Angelino Dalorto ("Angellinus de Dalort", possivelmente Angelino Dulcert), assinala uma ilha, a oeste da Irlanda, denominada como "Bracile";
Outros autores pretendem que o conhecimento das ilhas dos Açores teve lugar quando do regresso das expedições às Canárias realizadas por volta de 1340-1345, no reinado de D. Afonso IV (1325-1357). Data do 1345 chamado "Libro del Conoscimiento", manuscrito anónimo atribuído a um frade mendicante de Sevilha, que teria acompanhado essas expedições portuguesas, onde são descritas diversas ilhas:
"(…) Llegamos a la primera isla que dizen gresa e apres della es la isla de lançarote (…) bezimarin (…) rachan (…) alegrança (…) uegimar (…) forte ventura (…) canária (…) tenerife (…) del infierno (…) gomera (…) de lo ferro (…) aragauia (…) saluage [Ilhas Selvagens, no arquipélado da Madeira] (…) la isla desierta [Ilhas Desertas, idem] (…) lectame [Madeira] (…) puerto santo [Porto Santo] (…) la isla del lobo [Ilha do Lobo ou do Ovo, atual Santa Maria], y a otra isla de las cabras [Ilha de São Miguel], y a otra isla del brasil [Ilha Terceira], y a outra la columbaria [Ilha do Pico], y la otra la isla de la ventura [Ilha do Faial], y la otra isla de sant Jorge [Ilha de São Jorge], e la otra la isla de los conejos, y la otra isla de cuervos marinos [ilha das Flores]."
Após esta descrição, manter-se-ão os nomes das ilhas dos Açores nas cartas náuticas, por mais de um século:
Sobre a primazia do descobrimento português dos Açores muito se tem escrito. Entre os nomes dos primeiros navegadores associados ao arquipélago, destacam-se os de:
                1427 - Diogo de Silves, conforme o mapa de Valseca;
1431 - primeira viagem de Gonçalo Velho, identifica apenas os Ilhéus das Formigas;
1432 - segunda viagem de Gonçalo Velho identifica a ilha de Santa Maria e a ilha de São Miguel;
A Carta-régia de 2 de julho de 1439, passada por Pedro de Portugal, 1.º Duque de Coimbra, regente na menoridade de Afonso V de Portugal, refere apenas sete ilhas nos Açores. Esse número foi aumentado para nove quando Pedro Vasquez de la Frontera e Diogo de Teive, em 1452, encontraram as ilhas das Flores e Corvo15 , então designadas como "Ilhas Floreiras".
Sobre o descobrimento, o cronista Diogo Gomes de Sintra, referiu em 1460:
"Em certo tempo, o Infante D. Henrique, desejando descobrir logares desconhecidos no Oceano occidental, com o intuito de reconhecer se existiam Ilhas ou Terras firmes além das descriptas por Ptolomeu, mandou caravelas em busca destas terras. Partiram e viram terra ao ocidente tresentas léguas além do cabo - Finis Terrae - e, vendo que eram Ilhas, entraram na primeira, acharam-na desabitada e andando encontraram muitos muitos milhafres ou açores, e outras aves; e passando à segunda, que hoje se chama a Ilha de S. Miguel, que igualmente estava desabitada, acharam muitas aves e milhafres, assim como abundantes nascentes d'agus quentes sulfureas. D'ali viram outra ilha que na actualidade se chama Ilha Terceira, a qual à semelhança da ilha de S. Miguel, estava cheia d'arvores, aves e muitos açores. (...)
Aquelas caravelas voltaram a Portugal a comunicar ao referido Infante as descobertas que tinham feito, com o que ele folgou muitíssimo."
É certo que, a partir de meados da década de 1420, os Açores começaram a ser regularmente visitados por expedições portuguesas. Com início nas ilhas do Grupo Oriental, mais próximas do continente europeu, prosseguindo para o Grupo Central, o reconhecimento das ilhas avançou rapidamente. Todavia, as ilhas mais ocidentais (Flores e Corvo) só depois de 1450 foram alcançadas por marinheiros portugueses, quando as restantes ilhas já albergavam uma razoável população residente. O ingresso destas no domínio português deu-se por Pedro Vasquez de la Frontera e Diogo de Teive em 1452, no regresso de uma das viagens para o Ocidente à procura das outras ilhas míticas, ou talvez no regresso de uma pescaria na Terra dos Bacalhaus (a actual Terra Nova, no Canadá).
As primeiras expedições, para além do reconhecimento das costas e dos locais onde era possível desembarcar com segurança e fazer aguada, também se destinaram a lançar animais domésticos (ovelhas, cabras, porcos e galinhas) que pudessem ajudar a sustentar uma futura presença humana. No que respeita a São Miguel, há também referência a um grupo de escravos que terá sido deixado na foz da Ribeira da Povoação por meados da década de 1430.

No que respeita à organização religiosa, os Açores, como as restantes terras do além-mar português, começaram por estar sujeitas à jurisdição espiritual da Ordem de Cristo, exercida pelo vigário "nullius" de Tomar, que mandava visitar as ilhas por representantes, os chamados "bispos de anel". Ao ser criada o bispado do Funchal (1514), o arquipélago passou para a jurisdição desta. A pedido de João III de Portugal, o papa Clemente VII criou o bispado de São Miguel (1533), mas veio a falecer antes da respectiva bula ter sido expedida. No ano seguinte, o recém-eleito papa Paulo III, pela "bula Aequum reputamus", de 5 de novembro de 1534, erigiu o bispado de São Salvador do Mundo, dando-lhe por catedral a igreja do mesmo nome na cidade de Angra, ficando esta sé sufragânea do arcebispo do Funchal até 1550, data em que passou para a dependência da Diocese de Lisboa. A jurisdição do bispo de Angra abrange todas as ilhas, daí que a diocese seja hoje por vezes, embora incorrectamente, designada por Diocese de Angra e Ilhas dos Açores.
Nos termos da criação da donataria, ficava à conta do donatário, e após a incorporação na Coroa, do próprio soberano, a construção da capela-mor dos templos, a respectiva decoração e o fornecimento das alfaias sagradas. Competia à Ordem de Cristo a nomeação e a supervisão do clero. Em consequência, foram os franciscanos, com particular destaque para a corrente dita "espiritual" da ordem, os primeiros organizadores do culto, tendo, com excepção da Ilha do Corvo, fundado conventos em todas as ilhas. Tal explica a forte carga joaquimita ainda está presente na religiosidade do povo açoriano, traduzida no culto do Espírito Santo, na força das respectivas Irmandades e nas crenças associadas aos dons do Paráclito. A raiz das coroações e da celebração dos bodos, que hoje estão oficializados no Dia dos Açores, mergulha neste fundo místico e milenarista que já estava bem patente na sociedade açoriana do século XVI. Contribuindo para essa carga de misticismo, desde muito cedo os colonos se aperceberam da natureza imprevisível das ilhas: na noite de 21 para 22 de outubro de 1522, um violento sismo provocou um grande escorregamento de terras nas encostas sobranceiras a Vila Franca do Campo, causando o soterramento da maior parte da vila, então capital de São Miguel. O efeito combinado do sismo e do soterramento provocou a morte a alguns milhares de pessoas, ficando gravada na memória colectiva na forma do tradicional "Romance de Vila Franca". A esta catástrofe seguiu-se uma epidemia de peste, que também vitimou milhares, e logo erupções vulcânicas em São Miguel, no Pico e em São Jorge, fazendo do século XVI o mais calamitoso da história açoriana. É revelador que seja neste século que surge pela primeira vez a palavra "mistério" para designar as escoadas lávicas recentes.
Com a expansão da navegação marítima e do conhecimento europeu do mundo que ocorre entre os finais do século XV e meados do século XVI, os Açores passam rapidamente da situação de terra remota nos confins do mundo conhecido para encruzilhada das navegações atlânticas e lugar de partida para novas explorações, particularmente no Atlântico Noroeste. A partir dos Açores são organizadas viagens de exploração e pescaria à Terra Nova com um pioneirismo que, a ter vencimento a teoria de Edmund Delabarre sobre a Pedra de Dighton, fez dos navegadores portugueses da época os primeiros europeus a chegar àquelas costas após o fim das navegações vikings. Neste século, o estabelecimento da rota marítima para a Índia e Extremo Oriente, o descobrimento e início da colonização do Brasil e a expansão castelhana nas Américas (as Índias de Castela), associadas à descoberta da "volta do largo", que obrigava os navio de torna viagem a passar nas imediações dos Açores, rapidamente tornam Angra na universal escala do mar ponente, nas palavras do historiador Gaspar Frutuoso. Esta situação de centralidade atlântica leva a que as ilhas sejam visitadas por Cristóvão Colombo no regresso da sua famosa viagem de 1492 (na ilha de Santa Maria), que Paulo da Gama, o infortunado irmão de Vasco da Gama, esteja sepultado na Terceira, vítima das agruras da viagem à Índia, e que a posição geoestratégica das ilhas desperte os cuidados de ambas as cortes ibéricas.
O comércio cresce rapidamente e as ilhas tornam-se numa posição chave no reabastecimento (daí a criação da Provedoria das Armadas) e protecção das armadas de torna viagem. Para além do fornecimento de víveres e aguada, os Açores, e em particular a Terceira, servem de local de reagrupamento, para formação de comboios que fornecessem protecção contra os piratas que infestavam a periferia europeia, e de transbordo das mercadorias, em especial de preciosidades, que ficavam a aguardar transporte seguro para os portos portugueses. Quando a 31 de Janeiro de 1580 faleceu o cardeal-rei D. Henrique e se consuma a grande crise sucessória em Portugal, a sociedade açoriana, apesar de ter decorrido apenas pouco mais de um século desde a colonização, já se encontra completamente estruturada, com a repartição do poder estabilizada entre as câmaras municipais, o corregedor e os capitães do donatário. As cidades de Angra e de Ponta Delgada eram já os centros políticos do arquipélago, com Angra assumindo um claro predomínio, já que, para além do seu papel de entreposto marítimo, era a sede do bispado, do provedor das armadas e o local de maior permanência do corregedor. Por esta altura estavam também já formadas as principais povoações açorianas. Conforme se pode ver do desenho de Jan Huygen van Linschoten, feito no fim da década, a cidade de Angra já tinha os traços urbanísticos que ainda hoje mantém. Em meados de 1580, com Ciprião de Figueiredo no cargo de corregedor, com atividade centrada na Terceira, e com a poderosa família Gonçalves da Câmara como capitães-donatários de São Miguel, estavam criadas as condições para as diferentes opções das ilhas nos acontecimentos dos anos imediatos e para que os Açores assumissem pela primeira vez um papel fulcral na política portuguesa.
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Um importante legado destes açorianos, de espírito pioneiro, universalista, curioso e sem muitos preconceitos se deve também a iniciativa da mestiçagem tanto com indígenas quanto com afrodescendentes. Em Mangaratiba, no século XIX,  ocorreu verdadeiro melting pot estimulado por um ambiente de negócios efervescente. Na figura abaixo vê-se o que restou de aldeamentos indígenas no Estado do Rio de Janeiro.




Nossa Senhora da Guia era  o mais antigo, melhor integrado e mais próspero destes aldeamentos até a criação da ferrovia para Minas e São Paulo. Isto proporcionou aos tupinambás desta região oportunidade de adaptar-se mais rápido e melhor com os colonizadores tanto portugueses, quanto das demais nações que ali aportaram. Foi neste ambiente que Andreza Maria, índia tupinambá, pentavó do autor se casou com o pardo Mendo Pinheiro e sua filha cabocla casou-se com um português. Foi graças a este ímpeto de açorianos que  o próprio Antonio José Meirelles (primeiro) se uniu com Maria Leonor da Guia, parda.
 



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Já alguns  outros ancestrais de Anna vieram do Norte de Portugal, uma região que sempre guardou  características sócio-econômicas diferentes das outras regiões portuguesas. No Norte de Portugal havia a predominância de mulheres entre a população e uma grande porcentagem de casas chefiadas por mulheres, porque muitos homens emigravam para outras regiões do reino ou para as colônias, sobretudo para o Brasil. O destaque social e enriquecimento dos avós e pais de Anna, bem como do avô paterno de Domingos se explica por terem vindo com algum recurso  de Portugal e também por terem se miscigenado com os nativos.


Quando vinham para o Brasil, os portugueses, que tinham algum recurso ou eram nobres,  ocupavam o topo da pirâmide social no período colonial. Ser nascido em Portugal era a norma no século XVI e XVII da elite, mas não algo obrigatório. Mais do que ser português nato, era necessário comprovar a "pureza de sangue" (ausência de antepassados judeus, mouros, índios e negros), até certo número de gerações, além de estudos em Portugal, geralmente na Universidade de Coimbra.  A "nobreza" colonial era composta pelos senhores de engenho e pelos "homens bons" das câmaras municipais. No segmento superior da sociedade figuravam os proprietários rurais, os grandes comerciantes do litoral, os mineradores enriquecidos e a alta burocracia. Os proprietários rurais eram os senhores de engenho, proprietários de fazendas canavieiras, pecuaristas nordestinos e gaúchos, latifundiários que se autoproclamavam a "nobreza da terra", sobretudo os primeiros. Os grandes comerciantes do litoral, discriminados pela aristocracia da terra, eram quase sempre impedidos de exercer cargos públicos, só adquirindo um status elevado após o período pombalino em Portugal. No século XVIII surgiu o novo grupo social, composto pelos mineradores de ouro e diamantes, responsáveis pela edificação das cidades barrocas de Minas Gerais. Por fim, a alta burocracia colonial, composta de administradores (governadores, secretários, juízes, ouvidores, desembargadores, militares graduados, técnicos fazendários e autoridades eclesiáticas, como bispos e arcebispos). Os ancestrais de Anna eram basicamente negociantes e por isso eram mais propensos a se casarem, ou terem filhos naturais com as moças locais. Cuirosamente é a família Pinheiro que eram pardos livres os únicos inicialmente  a se dedicarem a política.
Mas nem tudo era cor de rosa para todos. Houve chacinas de açorianos pelos nativos. Na capital do Reino e mais ao sul vieram açorianos sem recursos. Assim havia portugueses no setor intermediário da sociedade colonial. Esse setor não chegava a compor uma classe média, como nos países de economia industrial, mas uma classe heterogênea que conseguia escapar da dicotomia "senhor-escravo". Na região açucareira, era composta pelos lavradores de cana menos abastados e os assalariados do engenho. Nas regiões pecuaristas, os vaqueiros que conseguiam criar gado suficiente para estabelecer a sua própria criação. Em São Vicente, Mangaratiba e no Rio de Janeiro o pequeno proprietário que, no contexto da pobreza da região, possuía alguns recursos se infiltrava até mesmo dentro da aristocracia local. Sem dúvida foi a região de influência da mineração, desde Minas ao Rio, a que mais propiciou o crescimento desse setor intermediário, uma vez que o caráter urbano daquela sociedade aumentava as oportunidades, como para comerciantes e tropeiros. Na base da pirâmide social estavam os homens livres pobres (brancos, mamelucos, mulatos, libertos), os indígenas e os escravos (negros e índios). Dentro desse grupo estavam os vaqueiros das áreas pecuaristas (ao longo do rio São Francisco, partes do Nordeste e do Sul), que exerciam sobretudo a lavoura de subsistência.
Há poucos documentos referentes à imigração portuguesa para o Brasil entre 1822 e 1850, o que levou muitos historiadores a ignorar esse período menos documentado, o que não quer dizer que não houve um substancial deslocamento de lusos no período posterior à independência. Apesar da inconsistência dos dados, uma vez que, nessa época, muitos imigrantes chegavam e não eram registrados, pode ser calculado que 26.785 portugueses entraram no Rio de Janeiro entre 1826 e 1850. O representante do governo português no Rio, Idelfonso Leopoldo Bayard, afirmou que a demanda por trabalhadores portugueses era tão grande que qualquer imigrante encontrava emprego em menos de oito dias após a chegada. Muitos dos que chegavam não portavam passaporte, normalmente pessoas sem recurso que viajavam com algum tipo de subsídio de capitães de navio, que lucravam com o transporte de imigrantes. Estes eram aliciados como trabalhadores endividados, uma vez que qualquer um que pudesse pagar o valor da passagem adquiria esse trabalhador, que lhe ficava devendo até que conseguisse saldar a dívida. O representante da Legação Portuguesa no Rio de Janeiro denunciou que havia uma escravidão branca "em todos os navios provenientes do Porto e dos Açores se exportam para aqui duzentas e mais pessoas tanto dum como d'outro sexo com as quais se trafica a sua chegada como se fossem africanos".
Desde 1816 D João VI, preocupado com o povoamento do sul do Brasil, usou uma Resolução do Conselho Ultramarino para evitar o risco de que alguma parte da colônia pudesse se transformar num quisto estrangeiro, estimulou a vinda de casais de ilhéus e de estrangeiros alemães, italianos e de outras nações, desde que não sejam castelhanos, ingleses, holandeses e franceses. As primeiras colônias desde Mangaratiba até Santa Catarina   receberam migrantes dos Açores e da Madeira. Todavia a maior parte dos assentados foi dizimada pelos silvícolas. Com relação aos ancestrais aqui estudados sabe-se pela tradição familiar que conseguiram aproximar-se dos nativos e iniciarem a miscigenação que os salvou das matanças que ocorreram nesta época.  Muitos destes migrantes vinham das Ilhas dos Açores, e eram mandados para fazendas de café para trabalhar sob o sistema de parceria. Esse sistema foi usado no interior da província de São Paulo, onde colonos suíços e alemães já estavam engajados como trabalhadores. Porém, em 1857, uma rebelião contra a exploração nas fazendas, ocorrida em Ibicaba, liderada pelo imigrante suíço-alemão Thomas Davatz, repercutiu na Europa Central, o que estimulou a adoção de medidas restritivas dos Estados Alemães e da França contra a vinda de mais imigrantes para o Brasil. O governo português, porém, era freqüentemente acusado de tratar com "indiferença" as notícias e reclamações de exploração de cidadãos portugueses em fazendas de café. Os açorianos não foram escravizados no Brasil, mas o convívio de assalariados com escravos tornou inevitável a associação entre escravidão e as precárias condições a que eram submetidos esses imigrantes. Os açorianos que foram para Mangaratiba tinham algum recurso suficiente para montarem pequenos negócios e escaparam tanto da exploração quanto de lusofobia.
A imigração portuguesa para o Brasil, na primeira metade do século XIX, foi bastante reduzida, quando comparada àquela ocorrida no século anterior, devido à expansão da economia mineradora, e à imigração em massa que aconteceria após 1850. Porém, foi notável a presença de jovens caixeiros, filhos segundos ou terceiros de lavradores mais abastados do Minho, que eram mandados para a Bahia ou para o Rio de Janeiro, empregando-se em casas comerciais de compatriotas, que controlavam o comércio brasileiro. Esses caixeiros portugueses, que dificilmente se assemelhavam ao elemento colonizador de outrora, acabaram sofrendo com o discurso antilusitano que viria a crescer após a independência Após a independência, o estado do Rio de Janeiro (sobretudo a capital) recebeu a maioria dos imigrantes portugueses que vieram para o Brasil. Isto porque era a região de economia mais dinâmica do País, concentrando as ofertas de trabalho. Diferentemente dos que foram para Mangaratiba, para a capital, foi direcionada uma imigração portuguesa espontânea, predominantemente masculina. Ali, os portugueses disputavam as vagas de trabalho lado a lado com negros e pardos, ou seja, se inseriam no mercado de trabalho de forma similar aos brasileiros, recebendo salários aviltados e se submetendo a longas jornadas de trabalho.  Uma expressiva parcela dessa população era oriunda de regiões interioranas do norte de Portugal, notadamente entre Beira Alta e Alto Trás-os-Montes e eram, em sua maioria, extremamente pobres, majoritariamente homens sozinhos, embora grupos familiares com grande número de mulheres e crianças não fossem raros. Ao chegarem ao Brasil, procuravam parentes ou se instalavam em pequenos cortiços. A maior parte desses imigrantes se dedicou ao comércio: pequenas vendas e padarias, chegando ao ponto de dominarem essas duas atividades em várias regiões do Brasil. Outros, tornaram-se operários nas nascentes indústrias brasileiras.
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Certidões da família Amaral em Mangaratiba




1827 9/set. Luiz Morais do Amaral  f Fco Ant do Amaral  da Freguesias de Sam Pedro  na Ilha de Sam Miguel e Engracia Gomes de Morais neto p de Mel do Amaral e Anna de Jesus Amaral  neto m Manoel Pacheco Galindo e Januaria Gomes de Morais
   
Batismos 1826, Maio-1839, Abr  Imagem 60




1828 8/dez  Tereza Morais Amaral f de Fco Ant do  Amaral e Engracia Gomes de Morais neta p de Manoel do Amaral e Anna de Jesus neta m Manoel Galindo e Januaria Gomes de Ilha Grande

·  Batismos 1826, Maio-1839, Abr  Imagem 68




1830 24/jan José  Morais do Amaral f de Fco Antonio do Amaral e Engracia Gomes de Morais

·  Batismos 1826, Maio-1839, Abr  Imagem 68





1829 7/jun Bernardo Amaral d´ Oliveira f de Jacinto Alvares d´ Oliveira e Ma Candida do Amaral -  desconhecidos possíveis parentes.
·  Batismos 1826, Maio-1839, Mangaratiba NS da Guia
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Gertrudes Maria Osorio esposa de Filippe Antonio do Amaral Imagens 53 e 54 



( abaixo ) Aos 21 de junho de 1839 nesta paróquia de Nossa Senhora da Guia de Mangaratiba em minha presença e das testemunhas abaixo assignadas compareceu Domingos Joaquim d’  Araujo Osorio, dizendo-me, que tinha huma filha natural de nome Gertrudes , nascida a 8 de dezembro de 1836 e baptizada nesta Igreja Parochial a 18 do dito mez  e anno, por mim; a qual filha de Anna Joaquina, natural dessa Freguesia  neta paterna de Francisco José Ozorio e Maria da Conceição todos naturais de Chaves (distrito de Vila Real em Trás-os-montes).

  



( abaixo) Chaves em Portugal e materna de Mendo  Pinheiro, pardo livre (ou taiguara), natural da Freguesia d’ Angra dos Reis e Andreza Maria, India, natural desta Parochia: foi Protetora NS da Guia; Padrinho Francisco Pimenta d’ Oliveira: e perante as testemunhas presentes , disse o sobredito Domingos  Joaquim d’  Araujo Ozorio que reconhecia a referida Gertrudes por


( abaixo) sua filha natural, e que por não ter feito  o assento correspondente, me pediu que agora lhe fizesse declarar que não faça duvida sobre o assento do Baptismo, que se acha a folha cento e trinta e nove do livro terceiro pois foi outra innocente, ainda que filha da mesma mãe, ehe fallecida, e tinha o mesmo nome de Gertrudes, e que tudo prezenciarão as testemunhas sendo uma delas padrinho da referida innocente: do que fez o assento  justo, que  comigo assignou etc...

Domingos Joaquim , pai de Gertrudes era dono de escravos como se vê abaixo.
·  Nossa Senhora da Guia  Batismos 1853, Jun-1874, Jun  Imagem de 168 


  Miscigenação em Mangaratiba

A miscigenação em Mangaratiba iniciou-se no século XVI pois os Tupinambás e tupiniquins  catequizados pelos jesuítas foram aliados dos portugueses. Destacou-se como líder  Cunhambebe-  Chefe Supremo de uma  nação que se compunha de  tribus ocupantes de  um território que ia do Rio Juqueriquerê em Caraguatatuba, no Estado de São Paulo, até o Cabo de São Tomé, ou Cabo Frio, no Estado do Rio de Janeiro, estendendo-se por todo o Vale do Paraíba entre os Estados do Rio e São Paulo.

Cunhambebe da Nação Tupinambá

A ação dos primeiros colonizadores Portugueses que destruiu várias tabas indígenas e a escravização dos nativos  como mão obra de ultra-barata  para os engenhos de cana-de-açúcar, gerou uma revolta indígena que criou a poderosa  Confederação dos Tamoios que se associou aos Franceses da colônia da França Antártica na baía de Guanabara, ameaçando  a hegemonia e integridade do empreendimento colonial Português.  
Foram  Cunhambebe de Mangaratiba , Aimberê de Uruçu Mirim – atual Flamengo no Rio de Janeiro, Pindobuçú da Gávea  e Coaquira, os principais tuxauas Tupinambás, que com a mediação dos  Jesuítas celebraram com os Portugueses o Tratado de Paz de Iperoig, em Ubatuba. Foi este tratado que promoveu a unidade do Brasil com uma só língua (o tupi até o século XVIII), uma só fé e um só território.
O tupinólogo Capistrano de Abreu garante terem existido dois Cunhambebes: O Pai,  famoso guerreiro, contemporâneo de Hans Staden e de André Thevet e  o filho,  contemporâneo de Anchieta e figura central e instrumental no Tratado de Paz de Iperoig,  Sendo ambos indivíduos de grande porte como todos os tupinambás, eram conhecidos por    sua força descomunal, coragem indômita e uma dureza e ferocidade raras. 



Veste de litúrgica de plumas para prática de canibalismo ritual supervisionado pela arara divina


Eram também conhecidos antropófagos  aterrorizando  seus inimigos, fator que era explorado prazerosamente por eles . Só com a morte por varíola do segundo Cunhambebe é que a miscigenação se intensificou e se manteve graças à morangatuaba – beleza e sensualidade   das moraussuboras – amorosas  índias tupinambás,  até o fim do século XIX,  especialmente  nos municípios de Mangaratiba  e Angra dos Reis, onde se encontra o Parque Estadual do Cunhambebe.